Quando a polícia ataca tudo e todos, inclusive a imprensa

A polícia de Hong Kong não teve mãos a medir no Dia Nacional da China. Foram vários os focos de motim espalhados por todo o território. O Plataforma Media acompanhou a atuação dos profissionais na zona central e mais cosmopolita da cidade.

Primeiro de outubro. Dia Nacional da República Popular da China. Um dia que prometia, por diversas razões, na Região Administrativa Especial de Hong Kong (RAEHK). A polícia havia proibido os protestos durante a comemoração dos 70 anos do país, mas no dia anterior as autoridades assumiram que o dia poderia ser um dos mais perigosos. E assim foi, num dia muito quente.

Tudo começou com diversas marchas espalhadas pelo território. O metro encerrou e, por isso, as acessibilidades tornaram-se caóticas, o que fez com que as pessoas não parecessem tão concentradas como noutras manifestações que chegaram a levar dois milhões de pessoas às ruas de Hong Kong.

As marchas acabaram por acontecer com a "anuência" das autoridades, mas horas depois, uns quantos - desta vez não só vestidos de preto - já estavam preparados para enfrentar a polícia que começava a invadir as largas avenidas da cidade com carrinhas de intervenção. Num ápice, os operacionais levaram tudo à frente. Estávamos pela zona de Central quando ocorreu uma das primeiras varridelas. Com o auxílio de canhões de água e gás lacrimogéneo os manifestantes começaram a dispersar, sem não antes largar cocktail molotov e arremessar umas pedras. Fraco pecúlio perante a força policial, que parecia mais numerosa que noutras alturas.

Segunda ronda: Wan Chai. Mais uma carga policial de grande envergadura. Por esta altura começava a anoitecer, mas o calor continuava insuportável, já para não falar da poluição que assola a região há cerca de uma semana. Nesta zona acabaram por acontecer os confrontos mais perigosos do dia a par do que acontecia em Kowloon - outra ilha do território - onde acabou por ser baleado no peito um manifestante, que se encontra hospitalizado em estado grave, mas estável.

Por esta altura, diversos manifestantes acabaram por ser detidos, com a autoridade, musculada, a mostrar que não queriam protelar os acontecimentos pela noite dentro como em outras ocasiões. A equipa do Plataforma Media viu-se encurralada numa rua sem saída, com gás lacrimogéneo por todo o lado, durante quase uma hora. A polícia haveria de fazer um número substancial de detenções, de gente de todas as idades.

O terceiro assalto aconteceu em Causeway Bay, já próximo da hora de jantar. Por aquela zona começavam a juntar-se diversos manifestantes, muitos dos quais vestidos com roupa de cor que não preta. Ouvia-se por lá que a vinda para as ruas, mesmo que perigosa, devia-se ao facto de a polícia ter baleado um manifestante de forma "cobarde" em Kowloon. "Àquela distância, até uma bala de borracha fazia mossa, quanto mais munição real. Não deve ser polícia de Hong Kong, mas sim um infiltrado do Continente", acusou um dos protestantes, aludindo às notícias que davam como certo o alegado aumento do contingente policial da RAEHK com polícias especialistas antimotim enviados por Pequim.

O protesto subiu de tom. Por esta altura a polícia começou a ficar nervosa. Atacou um grupo de jornalistas, no qual estávamos incluídos, com gás lacrimogéneo e bastonadas. Ainda hoje estamos para perceber porque tal aconteceu. Pelo menos três jornalistas ficaram feridos nessa investida e diversos prostrados no chão devido ao gás. A população terá ficado indignada e o confronto com a polícia estava eminente. Por longos minutos, polícia e manifestantes trocaram ataques na principal artéria daquela zona, até que, de um momento para o outro, e depois de despejada - literalmente - uma garrafa de gás pimenta numa mulher que se altercou, bateu em retirada para não mais voltar. Estavam terminadas as manifestações no Dia Nacional da China na ilha de Hong Kong, apesar de alguns focos de desestabilização em Kowloon.

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