Premium Provocações, gafes e surpresas marcam discursos finais de presidentes na Cimeira do Mercosul

Provocações, gafes e surpresas marcam discursos finais de presidentes na Cimeira do Mercosul

Provocações, gafes e surpresas marcam discursos finais de presidentes na Cimeira do Mercosul

  |  AFP

A 54.ª Cimeira do Mercosul terminou na cidade argentina de Santa Fé com uma série de provocações e gafes que surpreenderam pelo tom jocoso aquilo que deveria ser o momento mais sério da reunião, os discursos de encerramento.

Após abrir o plenário com um discurso que exaltava a nova fase de prosperidade e dinamismo do Mercosul a partir do recém-fechado acordo com a União Europeia, o Presidente argentino, Mauricio Macri, passou a palavra ao chefe de Estado brasileiro com uma provocação.

"É a vez agora do Jair Bolsonaro, querido amigo, mas sem falar sobre o VAR [vídeo-árbitro, na sigla inglesa] porque, disso, não vamos falar", declarou.

No dia 02 de julho, numa das semifinais da Copa América de futebol, a seleção argentina foi derrotada pela sua arquirrival brasileira por 2-0.

Os argentinos acusaram a arbitragem de não marcar dois penáltis a favor da Argentina e de não recorrer ao VAR para dirimir as dúvidas.

Ao tomar a palavra, o Presidente brasileiro elogiou o seu homólogo da Bolívia, Evo Morales: "Morales, já estava com saudades depois de o ter visto na minha posse no Brasil".

Foi a primeira vez que Bolsonaro teve palavras simpáticas com um líder de esquerda desta região.

Enquanto Bolsonaro discursava, o Presidente chileno, Sebastián Piñera, entrou no plenário, tendo o chefe de Estado brasileiro interrompido o seu discurso para o cumprimentar.

"Bem-vindo, Piñera!", disse Bolsonaro, mas o Presidente do Chile não respondeu.

"O seu problema é com o Peru, não com o Brasil", disparou Bolsonaro entre risos. Segundos depois, esclareceu: "Na Copa América, quero deixar bem claro".

Peru e Chile têm uma longa rivalidade desde a Guerra do Pacífico, no século XIX, quando o Chile invadiu o Peru, ganhou a guerra e ficou com parte do território peruano.

Bolsonaro também comparou a reforma da Previdência, que pretende implementar no Brasil, com a quimioterapia. "Apesar de a reforma ser como uma quimioterapia, é necessária para o corpo sobreviver", ilustrou.

O tema é sensível para outros países da região como o Chile, que enfrenta pressões para executar uma reforma, e a Argentina, que precisará reestruturar o seu sistema de pensões.

Os líderes de esquerda da região adotaram a expressão "Pátria Grande" para se referirem a uma América Latina unida, expressão sempre usada por Evo Morales, mas Bolsonaro prefere a do Presidente norte-americano, Donald Trump.

"Não queremos na América do Sul uma Pátria Grande. Queremos que cada país seja autónomo, democrático e grande como diz Trump na sua América Grande", disse Bolsonaro.

Outra contradição nesta cimeira aconteceu entre Brasil e Argentina, mas ao nível ministerial. O Mercosul vai fazer um estudo para avaliar a possibilidade de adotar uma moeda comum entre Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. O tema foi discutido entre ministros da Economia e presidentes dos bancos centrais dos países que compõem o bloco.

"Vamos fazer um estudo profundo sobre as mudanças e as vantagens potenciais de uma moeda comum", anunciou o ministro da Economia argentino, Nicolás Dujovne.

Horas antes, o ministro da Economia do Brasil, Paulo Guedes, tinha relativizado: "Do ponto de vista objetivo, não houve nada ainda. Do nosso ponto de vista, é um horizonte distante".

Participaram nesta Cimeira do Mercosul os quatro membros - Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai -, a Bolívia como Estado em processo de adesão e o Chile como membro-associado.

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