PR guineense acusa Governo de querer inviabilizar eleições

José Mário Vaz, presidente da Guiné-Bissau, vai recandidatar-se ao cargo nas eleições presidenciais de

José Mário Vaz, presidente da Guiné-Bissau, vai recandidatar-se ao cargo nas eleições presidenciais de 24 de novembro de 2019.

  |  Paulo Spranger/Global Imagens

O presidente da República da Guiné-Bissau condenou a atuação do Governo, liderado por Aristides Gomes, acusando-o de "violenta e abusivamente" pôr em causa a segurança e integridade física dos guineenses.

"A mortífera violência da repressão policial contra uma marcha pacifica de cidadãos indefesos, que não constituía uma ameaça à segurança nem às instituições ou à propriedade, representa uma disrupção que se afasta vertiginosamente dos valores que temos promovido, semeando mais crispação e discórdia, agravando as desconfianças em relação ao processo de preparação da eleição presidencial", afirmou este sábado, ao final do dia, José Mário Vaz, num discurso a que o Plataforma Media teve acesso.

O presidente da Guiné-Bissau discursou à nação na sequência do protesto, não autorizado pelo Governo, em Bissau, do qual resultou um morto e três feridos.

"Na Guiné-Bissau não pode haver mais lugar para o 'quero, posso e mando', nem para um governo que dispõe aleatoriamente do direito à vida dos cidadãos", criticou o ainda presidente e candidato às presidenciais nas eleições marcadas para 24 de novembro.

"Um governo que não só não garante a segurança dos cidadãos, como violenta e abusivamente põe em causa a segurança e a integridade física dos nossos irmãos, não está a servir os interesses da Nação Guineense. A atuação violenta do atual governo contra a população contribui perigosamente para a rutura da paz social", afirmou José Mário Vaz no seu discurso à Nação.

Relembrando os apelos por si feitos no sentido da estabilidade, na última terça-feira, após uma denúncia de tentativa de golpe de Estado por parte do primeiro-ministro, Aristides Gomes, José Mário Vaz considerou que "os trágicos e mortíferos acontecimentos hoje registados demonstram que os apelos à sensatez não tiveram eco no Governo, tentando a todo o custo, semear a confrontação, o caos e instabilidade com o objetivo de inviabilizar eleições que se pretende transparentes, livres e justas no dia 24 de novembro".

"Esta estratégia de confrontação resultaram hoje inúmeros feridos e um morto já confirmado, facto inédito que envergonha e entristece a Guiné-Bissau", destacou o presidente guineense que terminou o seu discurso convidando Aristides Gomes "a retirar as consequências políticas do ato ocorrido hoje". Sublinhando ainda que "nos ternos do Artº 103º da Constituição, 'o governo é politicamente responsável perante o Presidente da República e perante a Assembleia Nacional Popular', não podendo este órgão agir sem dar conta dos seus atos às Instituições de soberania perante as quais ele é politicamente responsável".

O discurso pode ser lido na íntegra na página oficial da Presidência da República da Guiné-Bissau no Facebook.

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