"O drama surge é a seguir às eleições, depois dos resultados serem conhecidos"

O presidente da Assembleia Nacional Popular da Guiné-Bissau, Cipriano Cassamá, recebeu a Missão de Observação

O presidente da Assembleia Nacional Popular da Guiné-Bissau, Cipriano Cassamá, recebeu a Missão de Observação Eleitoral da CPLP às Presidenciais, chefiada por Oldemiro Baloi, a 21 de novembro de 2019. No encontro, estiveram também os embaixadores de Angola, Brasil e Portugal acreditados em Bissau

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Oldemiro Balói, chefe da missão de observação eleitoral da CPLP às eleições presidenciais na Guiné-Bissau considera que estão criadas as condições para que o processo eleitoral corra normalmente.

"Fiquei algo surpreendido com o ambiente que vim encontrar", afirma Oldemiro Balói ao Plataforma, a partir de Bissau, onde se encontra até ao início da próxima semana a liderar a missão de 23 observadores da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) às eleições presidenciais da Guiné-Bissau que se realizam este domingo, 24 de novembro.

Com o arranque da campanha a ser marcado por tensão política, com dois governos e dois primeiros-ministros, o também ex-ministro dos Negócios Estrangeiros de Moçambique faz uma avaliação mais positiva no terreno do que aquela com que chegou ao país.

"Quando vimos de fora, longe daqui, parece ser mais complicado do que a realidade. Nós é que vamos consumindo informação em segunda e terceira mão. Parece-me que temos de conhecer muito bem a cultura política, social e económica deste povo para percebemos melhor as movimentações políticas, quer nas escolhas feitas, nas alianças, nos posicionamentos", enquadra Baloi.

"Há problemas, sim senhor. Os problemas que têm aparecido aqui e ali de preocupação têm sido resolvidos pelo Governo, pelas organizações internacionais. Há um espaço sinérgico muito forte para enfrentar o problema. Garantir que as eleições corram com normalidade, é esse o foco neste momento", refere o ex-chefe da diplomacia de Moçambique, especificando que os problemas são de natureza organizativa ou administrativos. Nada que ponha em causa o processo eleitoral: "As condições estão criadas para que o processo eleitoral corra normalmente", garante.

"O percurso até ao dia das eleições [na Guiné-Bissau] não é diferente do que acontece noutros lados. Numa linguagem mais dura, mais hostil, mas que não passa disso. Não há violência física. Depois temos o dia da votação que costuma ser pacífico. Mas há consenso aqui que o drama surge é a seguir às eleições, depois de os resultados serem conhecidos", relata o chefe da missão de observadores da CPLP.

Uma perceção formada após vários contactos na capital guineense. "Falámos já com vários vários interlocutores, Comissão Nacional de Eleições, Ministra da Administração Territorial, o presidente da Assembleia Nacional, com os embaixadores da CPLP - Angola, Brasil e Portugal - e com outras pessoas da terra", enumera.

"A minha avaliação, e é o sentimento da missão, sendo a Guiné-Bissau o que é, as coisas estão até agora controladas", defende, adiantando também que a missão de observadores da CPLP já reuniu com as outras missões no terreno - das Nações Unidas, da União Africana, da União Europeia, da CEDEAO e da Organização para a Francofonia.

"Trocámos informações com muita franqueza, com muita abertura e as preocupações são ao nível da segurança no dia das eleições, proteção das urnas. No aspeto de prevenção trocámos informações no sentido de estarmos todos informados e alerta no momento da observação", explica Oldemiro Balói.

Sobre os possíveis problemas que possam surgir após a divulgação dos resultados eleitorais, Oldemiro Balói diz que ainda é prematuro estar a falar de um plano conjunto das missões de observadores no terreno. "As missões vão estar em contacto e formaremos um quadro e estabelecemos um plano de ação se assim for necessário. Agora ainda é prematuro", afirma.

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