Novo presidente da RDCongo vai libertar todos os presos políticos

Félix Tshisekedi tomou posse nesta quinta-feira como presidente da República Democrática do Congo (RDCongo), numa cerimónia na capital congolesa, Kinshasa, na qual anunciou que irá libertar todos os presos políticos no país.

Filho de Etiénne Tshisekedi, histórico membro da oposição congolesa, Félix, de 55 anos, foi empossado na Casa do Povo, o parlamento da RDCongo.

Félix Tshisekedi, líder da União para a Democracia e Progresso Social (UDPS), um dos principais partidos da oposição, substitui assim Joseph Kabila, naquela que é a primeira transição de poder pacífica no país desde a sua independência, em 1960.

No seu discurso, após prestar juramento, o novo chefe de Estado congolês afirmou que irá libertar todos os prisioneiros políticos no país, tendo apelado para a paz e tolerância no país.

Tshisekedi defendeu que a RDCongo não deve ser um país de "divisão, ódio ou tribalismo", e que está "no horizonte de uma nova era".

Félix Tshisekedi e mulher, à esquerda, com Joseph Kabila e mulher, à direita, na cerimónia da tomada

Félix Tshisekedi e mulher, à esquerda, com Joseph Kabila e mulher, à direita, na cerimónia da tomada de posse

O novo Presidente da nação do centro de África referiu que pretende combater a corrupção no país, referindo que a RDCongo perde milhares de milhões de dólares todos os anos.

Félix Tshisekedi considerou que a receita do país - que tem reservas minerais avaliadas em biliões de euros - é "das mais fracas do mundo".

Durante a cerimónia, o novo chefe de Estado congolês fez uma breve homenagem ao pai, que morreu em 2017, assinalando o "rigor ético" e referindo-se a Etiénne como "presidente". Depois da derrota nas presidenciais de 2011, Etiénne Tshisekedi autoproclamara-se Presidente do país.

Cerimónia da tomada de posse

Cerimónia da tomada de posse

Félix Tshisekedi, de 55 anos, torna-se assim no quinto Presidente da República do país, ao suceder a Joseph Kabila, que prestou juramento em 26 de janeiro de 2001, dez dias depois do homicídio do seu pai e antecessor, Laurent-Désiré Kabila, por um guarda-costas.

A vitória de Tshisekedi nas eleições de 30 de dezembro tem sido alvo de contestação por outro candidato da oposição, Martin Fayulu, que se assume como "presidente eleito" e que acredita ter existido uma "fraude eleitoral" promovida por Kabila.

A versão de Fayulu é apoiada por várias entidades, entre elas a Conferência Episcopal Congolesa, que deslocou mais de 40 mil observadores para várias estações de voto em todo o país.

Uma investigação divulgada pelo diário britânico Financial Times aponta que os dados das estações de voto eletrónico utilizadas nas eleições, correspondentes a 86% dos votos escrutinados em todo o país, mostram a vitória de Fayulu, com 59,4% dos votos, contra 19% dos boletins escrutinados a favor de Tshisekedi e 18% dos votos recebidos por Emmanuel Shadary, o terceiro candidato mais votado, delfim de Kabila.

Apoiantes de Tshisekedi durante a tomada de posse

Apoiantes de Tshisekedi durante a tomada de posse

Depois de várias hesitações - e após a validação pelo Tribunal Constitucional da RDCongo dos resultados divulgados pela Comissão Eleitoral Nacional Independente (CENI) -, a União Africana e a União Europeia indicaram através de um comunicado conjunto que estavam disponíveis para "trabalhar com o Presidente Tshisekedi e com todos os partidos congoleses".

Tshisekedi deverá escolher um chefe de governo entre os deputados pertencentes à maioria parlamentar, apoiante de Joseph Kabila.

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