"Não sei se não voltaria a cuspir em Jair Bolsonaro"

Jean Wyllys

Jean Wyllys

  |  Ana António

Renunciou ao mandato de deputado e saiu do Brasil por temer pela própria vida. O homem que cuspiu em Jair Bolsonaro, quando o então deputado dava vivas ao torturador Brilhante Ustra, foi convertido em inimigo do novo poder brasileiro. A TSF entrevistou Jean Wyllys no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra.

O homem que deu vivas ao torturador Brilhante Ustra é hoje Presidente da República do Brasil. Se o encontrar e lhe pudesse dirigir a palavra, o que é que Jean Wyllys teria para dizer hoje a Jair Bolsonaro? O homem que teve de deixar o Brasil em função de repetidas ameaças de morte, suspira longamente antes de responder: "Eu acho que não dirigiria a palavra a esse sujeito. Mas se a isso fosse obrigado, eu dir-lhe-ía que está a destruir o país e que intoxicou o Brasil com o ódio. Não sei se não voltaria a cuspir, depende das circunstâncias. Eu acho que alguém que elogia um torturador publicamente pela televisão, enquanto uma mulher honesta (Dilma Rousseff) é deposta do seu cargo, quando esse mesmo deputado insulta com um insulto homofóbico um colega deputado, eu acho que essa pessoa no mínimo merece levar uma cuspidela na cara."

Camisa ao xadrez vermelha e negro, ar franzino e cansado, cumprimenta-nos com um aperto de mão firme, nas novas instalações do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. Está a viver em Berlim, mas tem planos de visitar regularmente Portugal, até por razões académicas. Vai estar em Lisboa a convite da Fundação José Saramago e irá à Assembleia da República na quarta-feira, a convite do Bloco de Esquerda. Mesmo em Portugal, está sempre acompanhado de proteção policial.

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