"Muros salvam vidas", defende Trump

"Muros salvam vidas", defende Trump

Jim Young/REUTERS

Presidente norte-americano considera que a questão da fronteira com o México é de extrema importância. Trump destaca ainda os sucessos nas reuniões com a China relativas à guerra comercial e confirma segunda cimeira com o líder norte-coreano Kim Jong-un, no final de fevereiro, no Vietname.

Aplaudiram-se heróis norte-americanos, esta terça-feira, numa noite onde Donald Trump voltou a pressionar o Partido Democrata para que aprovem o financiamento de 5,7 mil milhões de dólares para a construção de um muro na fronteira com o México, numa altura em que a administração vai enviar 3750 soldados para receber uma nova caravana de imigrantes ilegais.

O discurso do Estado da União, onde quase tudo o que se falou foi sobre política externa, começou pouco depois das 21h (hora local, em Washington) e o Presidente dos Estados Unidos da América falou, na Câmara dos Representantes, para Republicanos e Democratas. A oratória durou cerca de duas horas.

Donald Trump confirmou que a segunda cimeira com Kim Jong-un terá lugar no Vietname nos dias 27 e 28 de fevereiro, lembrando que o seu relacionamento com o líder da Coreia do Norte "é bom" apesar de ainda haver "muito trabalho pela frente".

Atrás de Trump esteve sentada a maior sua maior adversária política no Congresso, a democrata Nancy Pelosi. O Presidente aproveitou o pronunciamento para pedir "uma governação a dois, como uma nação". "Podemos curar antigas feridas e forjar novas soluções. Juntos representamos a mais extraordinária nação de sempre", afirmou, ao estilo bem conhecido dos norte-americanos. Pelosi manteve-se serena.

Donald Trump continuou o enamoramento aos democratas, dizendo que a sua administração tudo tentou para resolver diversos problemas "negligenciados" pelos líderes dos dois grandes partidos aos longo das últimas décadas, aludindo, uma vez mais, à questão da fronteira com o México. "Muros salvam vidas. Agora, é tempo de republicanos e democratas unir forças para enfrentar uma crise nacional. São precisos dez dias para aprovar uma lei que financia o nosso governo, que protege a nossa terra e que dará segurança à nossa fronteira a sul."

Por forma a reforçar o seu apelo, Trump convidou para assistir ao discurso do Estado da União Debra Bissell, uma americana cujos pais foram mortos por um imigrante ilegal.

Donald Trump lançou ainda dados que mostram que a economia dos EUA está no bom caminho, criticando as vozes que o querem prejudicar. "A única coisa que pode parar a nossa economia são guerras tolas e investigações partidárias ridículas", disse sobre os recentes inquéritos abertos contra ele.

O Presidente pediu ainda aos democratas cooperação para questões prementes como o emprego, saúde, imigração ou política externa. Aliás, o olhar para o mundo que nos rodeia foi pedra de toque do discurso de Trump.

Política externa pois então

A disputa comercial com a China, que já dura há muitos meses, também foi abordada por Trump que reiterou a sua "admiração e respeito" pelo presidente da República Popular da China, Xi Jinping. O líder norte-americano sacudiu a água do capote, responsabilizando os diversos líderes e representantes dos dois lados que permitiram que "esta farsa acontecesse". O Presidente dos EUA advertiu ainda a China para não "roubar mais empregos e riqueza aos norte-americanos" e exigiu "mudanças estruturais" a Pequim nas práticas comerciais.

Na ordem do dia esteve, igualmente, a crise na Venezuela. O presidente dos EUA aproveitou para saudar a população daquele país, reiterando o apoio a Juan Guaidó e condenando aquilo a que chama de "brutalidade do regime de Nicolás Maduro, cujas políticas transformaram um dos países mais ricos da América do Sul num estado de pobreza".

Uma palavra ainda para a Síria, com Trump a contradizer-se. Por um lado, o Presidente dos EUA defende a decisão de retirada das tropas, uma vez que os americanos "libertaram virtualmente o território" controlado pelo Estado Islâmico. Por outro lado, e em seguida, admitiu a possibilidade de existirem membros remanescentes do grupo extremista.

Trump anunciou que está em negociações com os talibãs no Afeganistão por forma a chegar a um "acordo político que seja vantajoso". "As nossas tropas têm lutado com uma bravura inigualável e está na hora de encontrar uma solução para terminar esse longo e sangrento conflito."

Nota ainda para um momento de ovação quando Trump falou do papel das mulheres no mercado de trabalho e, em particular, no Congresso e um momento de vaia quando o líder norte-americano criticou o Obamacare, lei de proteção e cuidados de saúde, lançada pelo seu antecessor Barack Obama em 2010. O presidente dos EUA pediu apoio na luta contra o cancro infantil e prometeu erradicar, de vez, o VIH-Sida.

Destaque para a presença de diversos heróis nacionais norte-americanos como por exemplo Buzz Aldrin, o segundo homem a pisar a lua, em 20 de julho de 1969, durante a missão da NASA Apollo 11, um acontecimento em que se assinalam 50 anos.

O discurso, que foi adiado uma semana devido ao shutdown, que terminou no passado dia 25 de janeiro, foi visto por milhões de norte-americanos e um pouco por todo o mundo.

Relacionadas

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG