Mobilidade e cooperação económica no topo das prioridades do novo diretor-geral

O novo diretor-geral da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), indicou hoje, na sua tomada de posse, em Lisboa, as suas prioridades para o seu mandato: uma maior mobilidade e o aprofundamento da cooperação económica.

"A criação em curso, de mecanismos que permitam uma maior mobilidade e circulação dos cidadãos dos nossos países no interior da comunidade e o aprofundamento da cooperação económica e empresarial parecem-me etapas cruciais no processo de consolidação da nossa organização coletiva", afirmou Armindo Brito Fernandes, esta segunda-feira, 10 de fevereiro, na cerimónia de tomada de posse, em Lisboa.

E perante uma plateia em que estavam todos os representantes permanentes dos Estados membros, o novo diretor-geral da CPLP não deixou de falar numa questão que se vem arrastando e limita a ação da organização: "É importante que o Secretariado Executivo disponha de todas as condições administrativas e financeiras que garantam o seu normal funcionamento".

Segundo dados revelados em outubro de 2019 pela Lusa, em 2017 a dívida dos Estados membros ascendia a 1,7 milhões de euros, um montante que representa mais de metade do orçamento anual da organização.

"Vamos trabalhar com todos os estados-membros sobre essa situação, todos os países têm atravessado uma conjuntura muito difícil, mas acho que havendo empenho e vontade política poderemos ultrapassar as nossas dificuldades", afirmou Armindo Brito Fernandes, em declarações aos jornalistas, após a tomada de posse na sede da CPLP.

Estas duas prioridades tinham já sido avançadas por Francisco Ribeiro Teles, Secretário Executivo da CPLP, que assinalou os progressos já alcançados em termos de mobilidade dos cidadãos dos países dos Estados membros destacando "o trabalho notável" realizado por Cabo Verde durante a presidência da organização, e a necessidade de uma atuação "mais ativa e participativa nas questões económicas".

Ribeiro Teles juntou ainda uma terceira prioridade aos desafios urgentes a que a CPLP tem de dar resposta: o estatuto dos observadores associados. Sobre esta questão, o Secretário Executivo, que termina o mandato em dezembro, assinalou a necessidade de se encontrarem "novas modalidades de participação" desses países e organizações internacionais nos trabalhos da CPLP.

Embaixador do quadro da carreira diplomática de São Tomé e Príncipe, Armindo Brito Fernandes exercia desde 2013 funções de coordenação e gestão no Ministério dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Comunidades de São Tomé e Príncipe, com responsabilidades na área do Fundo Europeu de Desenvolvimento, e foi escolhido para o cargo de diretor-geral da CPLP no âmbito de um concurso ao qual concorreram 132 candidatos.

Com 58 anos, licenciado em Direito com uma especialização em Direito Internacional pela Universidade de Kiev, Ucrânia, Armindo Brito Fernandes foi embaixador em Angola (2004-2009), encarregado de negócios na Bélgica e chefe da missão diplomática de São Tomé e Príncipe junto da União Europeia (1998-2003).

Durante os próximos três anos - que poderão ser renovados por mais três, como Ribeirto Teles sublinhou durante a cerimónia de tomada de posse -, enquanto diretor-geral, Brito Fernandes será o responsável pela gestão corrente, planeamento e execução financeira, preparação, coordenação e orientação das reuniões e projetos ativados pelo Secretariado Executivo da CPLP.

A completar 24 anos, a CPLP é formada por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

Percorra a galeria de imagens acima clicando sobre as setas.

Relacionadas

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG