MNE russo defende entrada permanente de Brasil e de um país africano no Conselho de Segurança

Ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, defende entrada de novos membros permanentes

Ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, defende entrada de novos membros permanentes no Conselho de Segurança da ONU.

  |  EPA/CHAMILA KARUNARATHNE

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergei Lavrov, pediu hoje uma mudança nas relações internacionais e a inclusão da Índia, do Brasil e de um país africano como membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Lavrov fez essas declarações durante a sua participação no Raisina Dialogue, um fórum político e económico organizado pelo Governo indiano em Nova Deli, mostrando-se ainda contra as "sanções unilaterais" impostas por algumas potências a outros países e à construção da ordem mundial baseada na "força bruta".

"Eu diria que a principal deficiência do Conselho de Segurança é a baixa representação dos países em desenvolvimento. Reiteramos a nossa posição de que a Índia e o Brasil absolutamente merecem estar no Conselho junto com um candidato africano", disse o ministro russo.

"A nossa posição é que o objetivo da reforma (do Conselho) seja a de garantir que os países em desenvolvimento tenham melhor tratamento no órgão central das Nações Unidas", continuou.

Lavrov especificou que a presença desses países no organismo internacional deveria ser como membros permanentes, cargo atualmente ocupado apenas por cinco: Rússia, Estados Unidos, China, França e Reino Unido.

Além disso, outros 10 países são membros temporários do Conselho, incluindo Alemanha, Bélgica, Indonésia ou África do Sul, entre outros.

Lavrov incluiu a reforma do Conselho de Segurança da ONU nas novas relações diplomáticas do século XXI.

"O século XXI é o momento em que devemos nos libertar de qualquer método de lidar com as relações internacionais com um esquema colonial ou neocolonial e as sanções impostas unilateralmente não funcionarão. Isso não é diplomacia", frisou, numa referência às sanções económicas que algumas potências, como os Estados Unidos, impuseram a outros países, como o Irão ou a própria Rússia.

"Não acho que devamos discutir sanções e meios não diplomáticos quando pensarmos no futuro do mundo", argumentou.

Lavrov acrescentou que "a ordem mundial democrática deve basear-se não no equilíbrio da força bruta, mas deve ser construída como um concerto de interesses, modelos de desenvolvimento, culturas e tradições".

O ministro russo também sugeriu aos países do Golfo Pérsico que "pensassem em mecanismos de segurança coletiva" e começassem a "construir confiança" participando em conjunto de exercícios militares, em face da recente escalada de tensão no Médio Oriente.

Essa escalada de tensão começou depois de os Estados Unidos terem matado o general iraniano Qassem Soleimani em Bagdad, a 03 de janeiro, e continuaram com o ataque de mísseis iranianos a bases com tropas norte-americanas presentes no Iraque.

Sobre isso, Lavrov disse na terça-feira, durante uma visita ao Sri Lanka antes de sua participação no fórum indiano, que a Rússia não pretende intervir no conflito, embora tenha descrito o assassínio de Soleimani como um ato fora das normas internacionais de comportamento.

Após a sua participação no fórum, o ministro da Rússia teve uma conversa privada com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi.

Nesta edição do Raisina Dialogue, um fórum internacional para discussões geopolíticas, económicas e de segurança organizado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da Índia, também está planeada a participação do Ministro do Ministério dos Negócios Estrangeiros Irão, Mohammad Javad Zarif, e o alto representante da União Europeia para a Política Externa, Josep Borrell, entre outros.

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