Premium Melancia quer aposta num ensino universitário em Macau de português e direito até 2049

Carlos Melancia

Carlos Melancia

  |  Nuno Veiga/LUSA

O ex-governador de Macau, Carlos Melancia, defendeu hoje que Portugal deve insistir no ensino da língua e direito português, procurando aproveitar o potencial do Campus Universitário da ilha da Montanha, até 2049, a data final do período de transição.

"O ensino do português é um trunfo relativamente importante em termos formais", afirmou em entrevista à Lusa o antigo governador de Macau, agora com 92 anos, 32 anos exatos depois da assinatura por Portugal e China da Declaração Conjunta sobre o processo de transferência do território para a administração chinesa.

Carlos Melancia, que foi nomeado após o acordo entre Pequim e China, referiu que "o ensino do português, não só em Macau, mas em Xangai, em Pequim e outros lugares, cresceu três ou quatro vezes mais", do que nos anos em que esteve como governador do território.

Apesar do trabalho do Camões, que "fez algum esforço" ainda "se pode fazer mais" pelo ensino do português.

Além disso, há a questão da arquitetura legal do território, de matriz portuguesa: "Não faz sentido deixarmos lá o nosso direito e não haver o ensino do direito".

"Não é todos os dias que aparece um campus universitário com a dimensão do de Macau e nós fazemos de conta que assobiamos para o lado", salientou.

Carlos Melancia, foi governador de Macau de 1987 a 1990, e deixou o cargo na sequência do designado caso do Fax de Macau, que tinha a ver com negócios à volta da construção do aeroporto do território, acabando depois por ser absolvido nos tribunais portugueses

"Na altura em que era governador tomei a iniciativa de propor a criação da Universidade da Taipa. Eu sempre pressupus haver uma predisposição do lado chinês, não só para manter o português, mas também os direitos de raiz portuguesa até 2049", referiu.

"O que significa que, neste momento, depois de o governo central chinês ter decidido fazer o campus universitário na Ilha de Motanha", obteve-se "a expansão da universidade que nós concebemos", disse.

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