Manifestação em Hong Kong em solidariedade com minoria uigure na China

Manifestação em Hong Kong em solidariedade com minoria uigure na China

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Manifestantes pró-democracia de Hong Kong concentraram-se hoje em solidariedade com os uigures, comparando a sua situação com a desta minoria muçulmana da China e correndo o risco de provocar a cólera de Pequim.

As forças de segurança intervieram para dispersar a manifestação depois dos contestatários terem retirado uma bandeira chinesa de um edifício governamental.

A criação de um amplo sistema de vigilância e prisões na região chinesa de Xinjiang é seguida com particular preocupação na antiga colónia britânica, palco desde junho da mais grave crise política desde que o território regressou à soberania da China em 1997.

A região semi-autónoma tem registado manifestações recorrentes para denunciar o recuo das liberdades ou a brutalidade da repressão policial.

É frequente ouvir nas manifestações "slogans" pró-uigures, mas este domingo foi a primeira vez que uma concentração foi organizada especificamente em solidariedade com aquela minoria.

Um milhar de pessoas juntou-se numa praça da frente marítima, na ilha de Hong Kong, para ouvir oradores afirmarem que o regime chinês poderá replicar no território a repressão existente em Xinjiang.

"Não devemos esquecer os que partilham o nosso objetivo, a nossa luta pela liberdade e democracia e a raiva contra o Partido Comunista chinês", declarou um manifestante com um microfone, desencadeando os aplausos dos contestatários.

Muitos tinham a bandeira do "Turquestão Oriental", o termo usado pelos separatistas uigures, uma faixa azul com uma estrela e um crescente branco.

Em Hong Kong é crescente o sentimento de uma cada vez maior interferência de Pequim nos assuntos do território, em violação do princípio "um país, dois sistemas", que devia garantir, até 2047, liberdades inexistentes em outras zonas da China.

"O governo chinês está obcecado com o controlo, não pode tolerar opiniões divergentes", declarou à agência France Presse Katherine, uma funcionária de cerca de 20 anos, antes da intervenção da polícia.

"Fazem o que fazem em Xinjiang porque têm o poder. Farão o mesmo em Hong Kong quando recuperarem a cidade", afirmou.

Em nome da luta contra o separatismo e o terrorismo islamita, o regime chinês reforçou drasticamente as medidas de vigilância no Xinjiang há cerca de dois anos. A principal etnia da região, os uigures, é particularmente visada.

Segundo organizações de defesa dos direitos humanos, pelo menos um milhão dos 10 milhões de uigures terão sido confinados a campos de reeducação.

Pequim desmente o número e diz tratar-se de "centros de formação profissional" para lutar contra a radicalização islamita.

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