Mais de 100 detidos nas manifestações de domingo em Hong Kong

Manifestantes nas ruas de Hong Kong nesta sexta-feira

Manifestantes nas ruas de Hong Kong nesta sexta-feira

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Mais de 100 pessoas foram detidas este domingo em manifestações não autorizadas em Hong Kong, noticiou hoje a imprensa local, na véspera do dia nacional da China, durante o qual são esperados mais protestos.

Dezenas de milhares de pessoas participaram no domingo em manifestações não autorizadas na região administrativa especial chinesa, palco há 17 semanas de protestos antigovernamentais que já resultaram em mais de 1.500 detenções.

A polícia recorreu a canhões de água e a balas de borracha para dispersar os manifestantes, que lançaram bombas incendiárias de fabrico artesanal ('cocktails molotov') em alguns locais do território.

Ao início da manhã de hoje, a polícia indicou ter disparado um tiro de aviso para o ar, na área de Wan Chai. No mesmo comunicado, a polícia explicou que um grupo de agentes foi "cercado e atacado por um grupo de manifestantes violentos".

De acordo com a emissora de rádio RTHK, a polícia também "condenou de forma veemente" outros atos violentos cometidos por manifestantes, que "bloquearam estradas ilegalmente, lançaram 'cocktails molotov' contra polícias e incendiaram vários locais".

O jornal South China Morning Post (SCMP) noticiou que uma jornalista indonésia foi atingida no olho por uma arma não letal quando cobria as manifestações de domingo.

Veby Mega Indah, de 39 anos, editora do Suara Hong Kong News, jornal em língua indonésia publicado no território, disse ao SCMP ter ficado ferida num olho e que precisa de levar três pontos.

Não é certo, ainda, se a jornalista foi atingida por uma bala de borracha ou por outro projétil não letal conhecido como "bean bag" [saco de material sintético com chumbos].

"Estava a usar um capacete e um par de óculos. Estava com outros jornalistas. Ouvi um jornalista gritar: 'Não disparem, somos jornalistas', mas a polícia atirou", contou ao SCMP.

A manifestação de domingo, que não foi autorizada pelas autoridades, ocorreu dois dias antes da comemoração do Dia Nacional da China, 01 de outubro [terça-feira], em que se assinalam os 70 anos da fundação República Popular da China.

A polícia de Hong Kong já proibiu uma grande manifestação pró-democracia convocada para terç-feira pela Frente Cívica de Direitos Humanos (FCDH).

"Estamos convencidos de que a decisão de proibir esta manifestação foi tomada pelo Governo de Carrie Lam e por Pequim, seguindo a estratégia de silenciar os protestos nas ruas de Hong Kong antes e durante o Dia Nacional da China", acusou Bonnie Leung, vice-coordenadora da FCDH, que representa pelo menos 15 partidos e organizações não-governamentais, em declarações à Lusa.

O protesto de domingo passado decorreu para assinalar o 'Dia Mundial contra a Tirania', registando dezenas de milhares de participantes que saíram à rua vestidos de negro, a cor usada pelos manifestantes pró-democracia.

Durante o dia, foram convocadas manifestações em cerca de 60 cidades mundiais, entre as quais Taipé, para mostrar solidariedade com as reivindicações dos habitantes de Hong Kong.

A transferência de Hong Kong para a República Popular da China, em 1997, decorreu sob o princípio "um país, dois sistemas". Tal como acontece com Macau, para aquela região administrativa especial da China foi acordado um período de 50 anos com elevado grau de autonomia, a nível executivo, legislativo e judiciário, com o Governo central chinês a ser responsável pelas relações externas e defesa.

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