Maior autonomia da UE na Defesa reforçará a NATO

O ministro da Defesa, João Gomes Cravinho, visita esta quarta-feira a Marinha

O ministro da Defesa, João Gomes Cravinho, visita esta quarta-feira a Marinha

  |  MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

O ministro João Gomes Cravinho sustentou que a NATO sairá reforçada com o aumento da capacidade europeia de Defesa, admitindo "identidades distintas", mas recusando "tensões" nesta matéria.

"O importante é que as capacidades militares dos países europeus e da NATO possam ser erigidas de acordo com as vantagens de cada um, isto resultará num maior ambiente de segurança para a Europa e a NATO sairá reforçada do reforço da Europa de defesa", declarou.

Em entrevista à Lusa, o ministro da Defesa Nacional recusou razões para "falar em tensões" entre a União Europeia, que está a começar um caminho de mais autonomia na Defesa, e a NATO, afirmando que "a autonomia não é contra, mas sim uma autonomia que permitirá à União Europeia levar a cabo missões que considere do seu interesse".

O ministro advertiu que, na "evolução da Europa da Defesa", é preciso "ter cuidado com a necessidade de harmonização dos ciclos de planeamento militar" das forças dos Estados membros da União Europeia e os ciclos de planeamento da NATO.

"Há toda a conveniência para que os ciclos da União Europeia e da NATO sejam harmonizados", defendeu, acrescentando que "isso está a acontecer".

"Não vivemos em nenhuma esquizofrenia, nós estamos perfeitamente confortáveis com a pertença à União Europeia e à NATO e com a evolução que está a ter lugar na União Europeia, que está a desenvolver uma identidade de segurança e defesa, algo que não fazia parte das suas características até muito recentemente", disse.

A construção de uma "defesa europeia" não passará por exércitos comuns, mas sim pelo reforço "da interoperabilidade" entre as forças militares dos países europeus, para "ganhar economias de escala na política de aquisições e na política de inovação no âmbito da indústria de Defesa", acrescentou.

"Há um consenso entre os países da NATO de que os países europeus têm de investir mais na nossa própria defesa. Esse maior investimento resultará também num fortalecimento das indústrias europeias. Vejo isto como algo de positivo", frisou.

No âmbito da Cooperação Estruturada Permanente, para a qual Portugal contribui com 25 milhões de euros, está já envolvido no projeto de "mobilidade militar para criar as infraestruturas necessárias para a deslocação rápida de equipamento e forças militares no espaço europeu".

Um sistema de rádio seguro, "que permitirá às forças comunicarem de maneira eficaz e sem interferência de terceiros", e um projeto "relacionado com o combate a minas em ambiente marítimo" são outros projetos em que as Forças Armadas portuguesas estão envolvidas.

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