Jornalista que perdeu olho pretende levar polícia de Hong Kong a tribunal

Veby Mega foi alvejada no olho direito pela polícia de Hong Kong

Veby Mega foi alvejada no olho direito pela polícia de Hong Kong

  |  AFP

A indonésia Veby Mega Indah acusa polícia de atrasar a investigação. Autoridades rebatem.

A jornalista indonésia cega no olho direito enquanto cobria os protestos em Hong Kong, afirmou ao jornal South China Morning Post que perdoa o polícia que disparou na sua direção - acredita-se que com uma bala de borracha -, mas Veby Mega Indah continua determinada em iniciar um processo legal contra a polícia daquela região administrativa especial da China.

"Procuro justiça para o meu caso, mas não apenas para mim. Procuro justiça para todas as pessoas feridas em Hong Kong", disse Veby, editora do Suara Hong Kong News, ao diário.

A indonésia de 39 anos está a ser representada pelo advogado especialista em matérias de direitos humanos Michael Vidler e solicitou assistência jurídica para prosseguir com seu caso.

Jornalista há 13 anos, Veby chegou a Hong Kong em 2012 e escreve regularmente sobre os direitos das trabalhadoras migrantes indonésias que vivem no território. E continuaria a levar essa vida normal, não fosse atingida por um projétil policial no dia 29 de setembro, durante protestos em Wan Chai.

Para Veby, que assume ainda estar a absorver tudo o que se passou, o incidente foi uma surpresa. A jornalista estava devidamente sinalizada com colete, capacete e crachá onde se podia ler a palavra imprensa - em inglês e chinês -, no meio de outros jornalistas um pouco longe dos manifestantes. Pouco antes de ser atingida, Veby lembra que um repórter gritou, atrás dela, a palavra "kei che" que significa jornalista em cantonês.

A indonésia foi atingida quase de imediato e lembra-se de ter caído nos braços de uma outra jornalista. Ouviu vozes a falar com ela, para que ficasse acordada e consciência, mas pensou que seria o seu fim.

Submetida a uma cirurgia de emergência, os médicos não conseguiram salvar o seu olho direito. O globo ocular acabou rompido e teve de ser removido sob pena de se deteriorar e outras complicações pudessem aparecer.

Agora, Veby usa uma pala e está a adaptar-se a nova realidade. A sua percepção de profundidade de campo visual ficou seriamente afetada e o seu olho esquerdo cansa-se facilmente.

Dois meses volvidos, a jornalista indonésia atribui à sua fé cristã a capacidade de conseguir superar as adversidades e, de igual modo, a capacidade de perdoar o polícia que a deixou sem ver daquela vista. "Tenho que perdoar", disse.

Contudo, perdoar não implica que não haja lugar a fazer-se justiça. Veby pretende levar o seu caso à barra do tribunal e para isso conta com a ajuda do seu advogado. "É preciso que as autoridades assumam as responsabilidades e revelem a identidade do polícia que disparou a bala, algo que tem sido recusado. Mas ele, e outros polícias, têm de enfrentar as consequências de acordo com a lei. Eles têm de entender que não podem fazer isto", rematou.

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