Versão líbia para abate de avião é falsa. Não há caças Mirage na missão europeia

Um Mirage F-1 com as cores da força aérea da Líbia na época do regime de Kadhafi

A missão Sophia é parte da resposta da União Europeia ao problema dos migrantes ilegais que procuram chegar ao continente europeu a partir das costas líbias. Nos meios atualmente operacionais não constam aeronaves de combate. Nem Portugal tem meios aéreos envolvidos na operação. E quando os teve não foram aviões de combate.

Na página oficial da missão é possível conhecer os meios aéreos atualmente operacionais ao largo da Líbia e dos quais constam aviões não tripuladas Predator, Falcon 50, Antonov 28 B1R, SW3 Merlin III e D4 VIGMA, todos estes aparelhos estão vocacionados para missões de patrulha, reconhecimento e salvação à semelhança do drone Predator, vocacionado para missões de reconhecimento e vigilância.

A missão Sophia não comporta qualquer vector de combate, como seria o caso do Mirage F-1, em que seguia o alegado piloto português que foi abatido nesta terça-feira sobre os céus de Tripoli.

Portugal, que tem estado envolvido na missão, só teve mobilizado um P-3C Orion em missões de patrulha. A Força Aérea portuguesa não tem, aliás, quaisquer Mirage F-1 nos seus meios de combate. Nem nunca teve.

Meios aéreos da Força Aérea portuguesa

O Mirage F-1 avião tem sido retirado do ativo das forças armadas dos países que o empregaram, nomeadamente a França e Espanha, que os utilizaram até à década passada.

O Mirage F-1 , que foi produzido sob diferentes versões desde a década de 60 do século XX até aos anos 90, foi igualmente vendido a países como o Iraque, a Jordânia, Marrocos e a Líbia, no período em que o país viveu sob a ditadura de Muammar Khadhafi. Neste país estariam ainda operacionais, tendo sido adquiridos na década de 70.

Ambas as facções que se defrontam na guerra civil que varre a Líbia desde 2014 possuirão alguns dos cerca de 30 Mirage F-1 ainda operacionais. Além destes aviões de fabrico francês, as forças do marechal Khalifa Haftar, responsáveis pelo abate do aparelho nesta terça-feira, e do governo de união nacional de Faiez el-Serraj possuem MiG-23 e Su-22.

Perante este quadro, é impossível que o alegado piloto português, que se identificou pelo nome de "Jimmy Rees" ou "Reese", estivesse ao serviço da operação Sophia. O mais provável é que seja, de facto, um piloto mercenário. No final de abril, um piloto de nacionalidade equatoriana, Borys Reyes, foi abatido, também pelas forças de Haftar, igualmente na região de Tripoli

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