Venezuela declara 'persona non grata' encarregada de negócios do Equador

Caracas declarou hoje 'persona non grata' a encarregada de negócios do Equador na Venezuela, Elizabeth Méndez, dando-lhe 72 horas para abandonar o país, uma medida "recíproca" pela expulsão da embaixadora venezuelana em Quito, Carol Delgado.

A expulsão foi anunciada pelo Ministério de Relações Exteriores venezuelano, num comunicado em que explicou que Caracas teve "conhecimento da decisão escandalosa do Equador de declarar 'persona non grata'" a sua embaixadora.

Segundo Caracas, trata-se de uma "reação intolerante e desproporcionada do Governo do Equador" depois de o ministro venezuelano de Comunicação e Informação, Jorge Rodríguez, ter refutado os "insólitos dados que anunciou" o Presidente do Equador, Lenín Moreno, em "25 de setembro na sede das Nações Unidas, sobre a migração de cidadãos venezuelanos".

Segundo o documento do ministério venezuelano, Lenín Moreno, "desde o pódio sagrado das Nações Unidas, num inaudito auto de agressão contra a Venezuela, dedicou a quarta parte do tempo da sua intervenção a mentir sobre a realidade do fenómeno migratório".

"Mentiu sobre a quantidade de migrantes venezuelanos, estabelecendo um número interessado que, por ilógico, excede toda a viabilidade. Mentiu sobre a nunca demonstrada atenção que recebem de parte do seu Governo (...) sobre as condições de saúde dos venezuelanos que transitam pelo território equatoriano e agrediu com calúnias a honra e o caráter popular do Governo da Venezuela", explica o comunicado.

"Perante estas circunstâncias, o Governo da Venezuela não pode deixar de condenar a interferência sistemática nos seus assuntos (...), assim como a expulsão da sua embaixadora (...), facto perante o qual se vê forçado a tomar uma medida recíproca contra a encarregada de Negócios do Equador na Venezuela, Elizabeth Méndez, que é declarada 'persona non grata' e tem 72 horas para deixar o país", sublinha.

O Equador anunciou na quinta-feira que expulsou a embaixadora venezuelana, Carol Delgado, devido a umas polémicas declarações emitidas na quarta-feira pelo ministro da Comunicação e Informação da Venezuela, Jorge Rodríguez, contra o Presidente equatoriano, Lenín Moreno.

O ministro venezuelano acusou na quarta-feira o Presidente do Equador de mentir quando assegurava que ao seu país chegam 6.000 venezuelanos por dia, fugindo da crise.

Caracas diz que os números de entrada de venezuelanos no Equador estão "inflacionados" e garante que é "muitíssimo mais pequeno" do que Quito afirma.

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