Relação luso-macaense está "num nível de excelência"

Durante a visita do chefe do executivo de Macau a Portugal foram assinados acordos nas áreas da cooperação judiciária, do ensino superior e do turismo. Para o governante macaense, é importante a diversificação da economia do território e enumera, entre outros, os setores financeiro, das telecomunicações e tecnologias.

As relações entre Portugal e a Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) situam-se num "nível de excelência" antevendo-se o reforço da cooperação em várias áreas, considerou nesta quarta-feira o ministro dos Negócios Estrangeiros Augusto Santos Silva falando em Lisboa, no final da sexta reunião da comissão mista Macau-Portugal, a que co-presidiu com o chefe do executivo desta região da República Popular da China, Fernando Chui Sai On.

Exemplo do bom nível de cooperação bilateral é dado pelos acordos assinados nas áreas do Justiça, da Ciência e Ensino Superior e do Turismo, que resultaram da deslocação a Portugal de Chui Sai On, tendo este destacado, por seu lado, a importância de Macau enquanto plataforma nas relações entre a China e os países de língua portuguesa através do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial, criado em 2003.

Desde a sua criação, o valor das trocas comerciais entre a China e os países de expressão portuguesa aumentaram "13 vezes", salientou o governante macaense enquanto as trocas luso-chinesas foram multiplicadas por três.

Chui Sai On recordou que as visitas realizadas pelo presidente chinês, Xi Jinping, a Portugal e por Marcelo Rebelo de Sousa à China evidenciaram o "aprofundamento da parceria estratégica global" entre os dois países.

Diversificar a economia

Além do reforço da cooperação em matéria judiciária, na área da formação no setor turístico e na promoção de Macau na Europa e de Portugal na região e ainda da materialização, a breve trecho, de um mecanismo a permitir a equivalência automáticas entre os graus dos dois sistemas de ensino superior, Chui Sai On referiu o apoio do seu executivo à presença de startups portuguesas no território no quadro de um programa que se estende também a empresários dos restantes países de língua oficial portuguesa, da China e do próprio território.

Um programa que visa a diversificação da economia macaense. Uma preocupação destacada pelo responsável do território, em resposta a uma pergunta do Plataforma sobre quais as áreas mais interessantes para a implantação deste tipo de empresas em Macau e tendo também presente o projeto da Grande Baía. Para Chui Sai On, é importante o investimento nas áreas das telecomunicações, tecnologias, financeira e também na gastronomia.

Para o dirigente do executivo de Macau, além destas áreas, a cooperação e o investimento podem também estender-se ao comércio, à saúde e ao desporto.

"Nunca houve tantos estudantes"

Sobre o papel de Macau como plataforma de encontro de culturas, o ministro Santos Silva salientou o apoio do executivo da região ao ensino do português, fazendo notar que "nunca houve tantos estudantes, nem escolas nem professores" deste idioma como se verifica atualmente.

A importância do ensino do português e do seu lugar em Macau foram destacados por Santos Silva, ao afirmar que o tema foi especificamente abordado no quadro da sexta reunião da comissão mista.

Mas não é só Macau que interessa a Portugal, é a própria China, tendo o governante português indicado que será inaugurada uma delegação da AICEP em Cantão no ano em curso e que foi assinado um acordo de cooperação entre as agências de investimento de ambos os países, o "que irá abrir novas oportunidades" de negócio.

Neste ponto, e na perspetiva portuguesa, Santos Silva, recordou o acordo alcançado para a exportação de carne de suínos para a China e a abertura deste mercado também à exportação de fruta nacional.

Investimento chinês

No plano empresarial, o ministro revelou a existência de um entendimento entre duas empresas portuguesas do setor de construção de infraestruturas com duas homólogas chinesas para se apresentarem em parceria a concursos em países terceiros.

E, além da presença já consolidada no setor financeiro e energético, Santos Silva afirmou estar em curso a diversificação do investimento chinês em Portugal, dando como exemplo uma empresa do setor agroalimentar, a Cofco, que investiu numa fábrica em Matosinhos.

Com início oficial na segunda-feira, aquela que é a terceira deslocação do dirigente do executivo de Macau a Portugal concluí-se nesta quinta-feira com uma deslocação ao Porto, onde será assinado um acordo de cooperação entre o município e a região administrativa especial.

Chui Sai On receberá ainda as Chaves da Cidade entregues pelo presidente da Câmara, Rui Moreira.

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