Premium ONG de defesa dos direitos humanos querem que líderes da UE pressionem China

KASHGAR, CHINA - JULY 1: Ethnic Uyghur men talk as they meet at a teahouse on July 1, 2017 in the old town of Kashgar, in the far western Xinjiang province, China. Kashgar has long been considered the cultural heart of Xinjiang for the province's nearly 10 million Muslim Uyghurs. At an historic crossroads linking China to Asia, the Middle East, and Europe, the city has changed under Chinese rule with government development, unofficial Han Chinese settlement to the western province, and restrictions imposed by the Communist Party. Beijing says it regards Kashgar's development as an improvement to the local economy, but many Uyghurs consider it a threat that is eroding their language, traditions, and cultural identity. The friction has fuelled a separatist movement that has sometimes turned violent, triggering a crackdown on what China's government considers 'terrorist acts' by religious extremists. Tension has increased with stepped up security in the city and the enforcement of measures including restrictions at mosques. (Photo by Kevin Frayer/Getty Images)

Os líderes da União Europeia (UE) devem pressionar os seus homólogos chineses sobre a deterioração da situação dos direitos humanos naquele país na cimeira UE-China, marcada para terça-feira, em Bruxelas, alertaram cinco ONG de direitos humanos.

Em comunicado, as cinco organizações não-governamentais consideram que os líderes europeus devem aproveitar a cimeira de 09 de abril para amplificar as preocupações suscitadas durante o diálogo sobre direitos humanos entre a UE e a China, que decorreu nesta segunda e terça-feira e exortar as autoridades chinesas a fechar campos de "educação política" em Xinjiang e libertar dissidentes presos.

"A UE e os seus Estados-membros expressaram o seu firme empenho na defesa dos direitos humanos, e essa promessa está a ser testada entre a repressão implacável e deterioração rápida dos direitos humanos na China", referiu Lotte Leicht, diretor do departamento de direitos humanos na UE na Human Rights Watch (HRW).

Lotte Leicht salientou que a cimeira representa "uma oportunidade importante para a UE enviar mensagens públicas fortes à liderança chinesa relativamente aos direitos humanos".

Em 13 de março, numa carta dirigida aos líderes da UE e ministros dos Negócios Estrangeiros dos 28 Estados-membros, aquelas ONG denunciaram severas violações dos direitos humanos na China, incluindo a detenção arbitrária em massa e a vigilância dos povos Turkic - um grupo etnolinguístico da Ásia -, "a intensificação da educação política no Tibete e a perseguição, desaparecimento forçado e prisão de ativistas pacíficos, defensores dos direitos humanos e advogados de defesa".

A carta foi assinada pela Amnistia Internacional (AI), Human Rights Watch, Campanha Internacional pelo Tibete, Federação Internacional dos Direitos Humanos e Serviço Internacional para os Direitos Humanos.

As cinco ONG também abordaram a crescente ameaça chinesa aos direitos humanos em todo o mundo através de esforços para prejudicar o direito internacional e enfraquecer instituições como o Conselho de Direitos Humanos da ONU.

Na segunda e terça-feira, a UE acolheu a 37.ª edição do diálogo UE-China sobre direitos humanos.

"Apesar dos esforços de princípio do Serviço de Ação Externa da UE (SEAE), o diálogo continua a ser um instrumento diplomático fraco", lamentaram as ONG, acrescentando que "as autoridades chinesas continuam sem conseguir demonstrar progressos concretos em questões de direitos humanos levantadas pela UE".

As cinco ONG de defesa dos humanos instaram ainda os líderes da UE a pressionar a China a permitir a entrada de uma missão internacional independente de investigação em Xinjiang, a libertar prisioneiros políticos e a ratificar o Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos.

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