CPLP deixou de ser importante para o Brasil com Bolsonaro

Fernando Henrique Cardoso

O antigo Presidente do Brasil Fernando Henrique Cardoso defendeu hoje que é "importante" o seu país manter-se na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), mas acha que o atual Governo brasileiro não vê interesse na organização.

"Como atitude é bom que o Brasil se mantenha na CPLP. Economicamente não, mas culturalmente é importante. Mas os brasileiros muitas vezes não sabem disso", afirmou Fernando Henrique Cardoso em entrevista à Lusa em Lisboa.

Porém, o ex-Presidente não vê que a organização "tenha interesse" para o atual governo brasileiro, liderado por Jair Bolsonaro.

"O governo de Bolsonaro não demonstrou até agora, na política externa, outros interesses que não sejam com os Estados Unidos. Com o mundo ocidental cristão".

Ora, sendo o maior cliente do Brasil a China, "esse é um problema objetivo", afirmou.

Para o antigo Presidente, o seu país "não pode tomar uma posição antecipadamente a favor de um dos lados (...). Temos é que ver qual é o nosso interesse nacional".

Mas, neste momento o Brasil está "um pouco paralisado por uma luta ideológica, que não tem nada a ver com o interesse real das pessoas do Brasil", referiu.

"Eles inventaram um fantasma, um mundo antiocidental, anticristão", afirmou, referindo-se ao atual executivo brasileiro.

Ainda em relação à CPLP aponta que o Brasil tem interesse direto em alguns países de África: "Na CPLP o que contava mais para nós era Angola e um pouco de Moçambique", em termos económicos.

Mas esse interesse diminuiu, também graças à Lava Jato, considerou Henrique Cardoso, a mega operação de investigação anticorrupção levada a cabo no Brasil, que conduziu muitas das figuras do mundo empresarial e político do Brasil à prisão nos últimos anos.

"Empresas brasileiras que se multinacionalizaram sofreram com o processo da Lava Jato. Esse foi também um erro da Lava Jato, porque não responsabilizaram só os empresários, acabaram com as empresas, e isso é ruim para o país. Nós perdemos instrumentos de ação empresarial", afirmou Henrique Cardoso.

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