Chui sai de Portugal com acordo de extradição fechado

O primeiro-ministro, António Costa, acompanhado pelo chefe do Executivo da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), Fernando Chui Sai On (D), durante uma reunião no âmbito da sua visita oficial a Portugal, no Palácio de São Bento, em Lisboa, 14 de maio de 2019. JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Portugal e Macau fecharam esta semana mais dois acordos de cooperação bilateral. Um na área da justiça, para extradição de infratores em fuga, e outro no setor do turismo para a instalação de um polo do Instituto de Formação Turística de Macau (IFT) no Estoril. Além disso, foi ainda assinado um memorando na área do ensino superior que vai permitir "finalizar, a breve prazo, o reconhecimento de graus e diplomas do ensino superior"

Este foi o resultado da derradeira visita a Portugal de Chui Sai On, enquanto chefe do Governo de Macau, para copresidir, com o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, à sexta reunião da Comissão Mista Portugal-Macau, que decorreu em Lisboa.

No final da reunião, em que "as questões económicas e a língua portuguesa" foram temas centrais, Chui Sai On destacou a importância de Macau enquanto plataforma nas relações entre a China e os países de língua portuguesa (PLP), através do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial (Fórum Macau), criado em 2003. Lembrou que desde então, o valor das trocas comerciais entre os dois blocos "aumentou 13 vezes".

Salientou o apoio do Governo à presença de startups portuguesas no território, no quadro de um programa que se estende também a empresários dos restantes países de língua oficial portuguesa, da China e da região.

Para Chui Sai, em resposta a uma pergunta do PLATAFORMA, as empresas devem apostar nas áreas das telecomunicações, tecnologias, financeira e também na gastronomia. Destacou, todavia, que além daquelas, o investimento pode estender-se ao comércio, à saúde e ao desporto.

Na conferência de imprensa conjunta, Augusto Santos Silva, destacou o "nível de excelência" em que se encontram as relações entre Portugal e a RAEM.

O governante português apontou o projeto da Grande Baía, uma metrópole chinesa com 70 milhões de habitantes, como uma iniciativa que, disse, constitui uma "oportunidade única" para incrementar a cooperação entre Portugal, Macau e conjunto da República Popular da China.

A língua forte

Quanto à língua portuguesa e a expansão do ensino do português, Santos Silva considerou que "os números são eloquentes", recordando que nunca houve tantos jovens a aprender e a falar português e tantos professores a ensinarem a língua em Macau, uma expansão só possível graças ao "apoio do Executivo da região".

No primeiro dos cinco dias da visita a Portugal, Chui Sai On foi recebido em audiência privada pelo Presidente da República portuguesa. Marcelo Rebelo de Sousa, citado pela agência noticiosa chinesa Xinhua, destacou o "excelente momento" das relações entre Portugal e a China e entre Portugal e Macau, observando que Pequim tem em alta consideração o papel de Macau como ponte entre a China e os PLP.

O chefe de Estado português salientou o "importante papel" desenvolvido pelo Fórum Macau no domínio das relações entre a China e os PLP, considerando que a expansão da língua portuguesa no território vai contribuir para aprofundar essa ligação aos PLP em áreas como a cultura, sociedade, economia e comércio, ciência e tecnologia e turismo.

Por sua vez, Chui Sai On enalteceu "os rápidos progressos" na cooperação bilateral entre Macau e Portugal, em resultado da amizade tradicional e das relações históricas entre as duas partes.

Expressou também confiança no potencial de cooperação entre Portugal e a RAEM, no quadro da iniciativa chinesa Faixa e Rota, e no projeto da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau.

Reafirmou o empenho da RAEM na proteção e apoio à comunidade portuguesa, assim como na promoção e no desenvolvimento da cultura e língua portuguesas em Macau.

O tema da língua esteve também em cima da mesa no encontro entre Chui Sai On e o primeiro-ministro português, António Costa, na terça-feira, de acordo com um comunicado do Gabinete de Comunicação Social (GCS) do território.

Na ocasião, tanto António Costa como Chui Sai On reconheceram que o apoio de Portugal nas questões da língua permitirá a Macau "desempenhar melhor o seu papel" na criação da base de formação do português e do turismo.

A RAEM "possui um sistema completo de ensino do português, que serve como uma vantagem única da base de formação da língua portuguesa nas regiões asiáticas", lembrou Chui Sai On.

No encontro, as duas partes concordaram em reforçar a cooperação bilateral nas áreas económica e comercial, "impulsionando o investimento mútuo" e "o desenvolvimento sustentável" das respetivas economias.

Costa sublinhou a importância das relações luso-chinesas e o papel que Macau desempenha nesse particular, sendo para isso fundamental para Portugal manter a "amizade especial" com a RAEM, em várias áreas, nomeadamente na cooperação judiciária e empreendedorismo jovem.

Na passagem por Portugal, Chui Sai On inaugurou a exposição de fotografia " Um País, Dois Sistemas em Macau", em Lisboa, reafirmando também na ocasião que a região está fortemente empenhada em transformar-se num Centro Mundial de Turismo e Lazer.

Chui Sai On termina hoje, sexta-feira, a visita a Portugal, com a assinatura na Câmara Municipal do Porto de "um memorando de entendimento para o quadro de cooperação na promoção de amizade". Após a assinatura, o chefe do Governo de Macau vai receber das mãos do presidente da câmara, Rui Moreira, as Chaves da Cidade.

Relacionadas

Exclusivos