Premium Chefe do Executivo de Macau mostra êxito de "um país, dois sistemas" a partido de Taiwan

Encontro entre o Chefe do Executivo, Chui Sai On, e o presidente do Partido o Povo Primeiro (People First Party) de Taiwan, James Soong Chu-yu, na Sede do Governo

O chefe do Executivo de Macau elencou, perante o líder de um partido da oposição em Taiwan, o êxito do território com a passagem da administração para a China e as vantagens da participação no projeto chinês da Grande Baía.

Num encontro com o presidente do Partido O Povo Primeiro, James Soong Chu-yu, Fernando Chui Sai On aproveitou para "apresentar uma retrospetiva" dos últimos 20, anos desde que a Região Administrativa Especial de Macau foi criada, na sequência da transferência de administração de Portugal para a China.

Chui Sai On destacou o êxito da aplicação do princípio "Um país, dois sistemas" e os avanços conseguidos em várias áreas, de acordo com um comunicado divulgado pelas autoridades.

O desenvolvimento económico, o bem-estar social e a melhoria das condições de vida foram alguns dos exemplos dados por Chui Sai On ao responsável de um dos partidos que integram a coligação liderada pelo Kuomitang, o grande partido nacionalista que liderou o país durante décadas e que está hoje na oposição.

A reunião incidiu no reforço de cooperação entre Macau e Taiwan e de que forma pode a ilha participar na criação da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, "mais um passo na definição do papel e função de Macau na estratégia de desenvolvimento" do país e "na integração da conjuntura" chinesa, disse Chui Sai On.

A Grande Baía é o projeto de Pequim para criar uma metrópole mundial que junta as regiões administrativas especiais de Macau e de Hong Kong e nove cidades (Dongguan, Foshan, Cantão, Huizhou, Jiangmen, Shenzhen, Zhaoqing, Zhongshan e Zhuhai) chinesas da província de Guangdong, numa região com cerca de 70 milhões de habitantes e um Produto Interno Bruto (PIB) que ronda os 1,3 biliões de dólares, maior do que o PIB da Austrália, Indonésia e México, países que integram o G20.

De acordo com a mesma nota, James Soong afirmou que quer "aproveitar esta oportunidade para impulsionar" o "grande rejuvenescimento da Nação Chinesa".

Esta reunião aconteceu no mesmo dia em que o ministro dos Negócios Estrangeiros de Taiwan, Joseph Wu, declarou que os laços com os Estados Unidos, o "melhor aliado" da ilha, "estão mais fortes do que nunca".

Os dois países comemoraram na terça-feira, em Taipé, o 40.º aniversário do Ato de Relações com Taiwan, que reafirmou o compromisso dos Estados Unidos com a ilha, nomeadamente através da venda de armas, mesmo depois de Washington ter estabelecido relações diplomáticas com Pequim, em 1979.

Pequim considera Taiwan uma província chinesa, e defende a "reunificação pacífica", mas já ameaçou "usar a força" caso a ilha declare a independência.

A China cortou os contactos com o Governo da Presidente Tsai Ing-wen, do Partido Progressista Democrático (DPP), pouco depois da sua eleição, em 2016, e implementou uma estratégia para reduzir o apoio entre os eleitores da ilha.

Isto inclui incentivos para os taiwaneses trabalharem na China, apelando especialmente aos jovens e trabalhadores do setor tecnológico, frustrados pelo pequeno mercado taiwanês e pelos salários estagnados.

Pequim tem também isolado Taiwan: nos últimos três anos, cinco países cortaram relações diplomáticas com Taipé, que tem agora apenas 17 aliados diplomáticos.

As eleições presidenciais em Taiwan estão marcadas para 2020 e a popularidade de Tsai tem vindo a descer.

O governador de Kaohsiung, a segunda maior cidade de Taiwan, Han Kuo-yu, do partido nacionalista Kuomintang (KMT, na oposição), é considerado um dos mais fortes candidatos à presidência da ilha, se decidir concorrer às eleições de 2020, de acordo com as últimas sondagens.

Han visitou Macau em março último para reforçar as "trocas económicas e comerciais", e "promover a cooperação bilateral nos domínios turístico e cultural".

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