Premium Aya Chebbi, a jovem diplomata que vai agitar a União Africana

É uma rebelde. Filha de um coronel tunisino recusou-se a usar o véu islâmico. Aos 32 anos é a embaixadora da União Africana para a juventude

Aya Chebbi, tunisina de 32 anos, embaixadora da União Africana (UA) para a Juventude desde novembro de 2018, espera redefinir o panafricanismo e instaurar um diálogo intergeracional no seio da organização, noticia hoje o Le Monde Afrique. É licenciada em Relações Internacionais (curso que tirou em Tunis) e em Estudos Orientais e Africanos (fez em Londres).

Chebbi criou em 2012 uma associação de jovens originários de 40 países, o Afrika Youth Movement. Em fevereiro a associação organizou o seu terceiro fórum de empoderamento. "No início era apenas um grupo do Facebook. Hoje já tem mais de 10.000 membros".

A jovem foi escolhida entre 700 candidatos para o cargo de embaixadora da Juventude da UA. Ao ser nomeada virou a página de uma militância "radical" que era visível no seu blogue ProudlyTunisian (Orgulhosamente tunisina), que criou pouco depois da revolução que levou à depoisção do Presidente Ben Ali, em 2011.

Aya Chebbi formou jovens em mais de vinte países, capacitando-os para criarem blogues interventivos e para a resistência civil. Segundo conta o Le Monde Afrique, agora a jovem embaixadora da UA está apostada em aproveitar a missão de dois anos para ampliar a sua voz numa juventude que representa dois terços da população do continente africano.

"Os jovens têm a sua própria linguagem, a sua própria visão das coisas. A liderança está desconectada deles", afirma. Segundo Chebbi, a média etária dos dirigentes africanos é de 66 anos. "Há 41 anos a separá-los da idade média da população africana que é de 25 anos"

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Rotimi Olawale, fundador da plataforma Youth Hub Africa, considera que o seu "estilo único de militância e de energia pode ser mal visto pelos diplomatas da UA, mais habituados a um certo conservadorismo".

Mas Chebbi está habituada a desafios. Foi educada num meio familiar muçulmano, conservador, mas ousou enfrentar os tios que queriam à viva força que ela usasse o véu islâmico como todas as mulheres da família. "Eu era rebelde mas o meu pai defendia-me. Ele deu-me a coragem de ser audaciosa. Ainda hoje, muitas pessoas pensam que eu sou louca mas a minha família apoia-me".

Habituada a viajar pela Tunísia por causa das missões militares do seu pai coronel, Aya Chebbi descobriu o mosaico cultural do país e as injustiças e a intolerância associadas à cor da pele, língua ou religião. "Aos 16 anos eu vivia numa cidade onde havia um autocarro para brancos e um autocarro para negros", contou, denunciando um racismo que ainda existe no Magrebe.

"O problema no Norte de África é que as pessoas não atravessam as fronteiras. Eu comecei a descobrir a minha identidade africana quando viajei e encontrei outras populações".

No Quénia produziu um documentário sobre o papel das mulheres e dos jovens nas eleições.

Quando olha para África, Aya Chebbi entende que há um trabalho a fazer pela sua geração. "Libertar o continente da pobreza, da corrupção, da má governança e da dependência financeira".

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