Armando Guebuza não depôs perante justiça moçambicana nas investigações

Ndambi Guebuza (meio) e Armando Guebuza (esquerda)

O antigo Presidente moçambicano Armando Guebuza não foi ouvido nas investigações às dívidas ocultas avalizadas pelo seu Governo e no âmbito das quais o filho está detido, noticia hoje em manchete o "Savana", principal semanário do país.

Numa análise ao documento da acusação do Ministério Público, a que teve acesso, o Savana titula: "Acusação esqueceu Guebuza".

"Com o seu nome mencionado em muitas das 120 páginas da acusação que o Ministério Público deduziu contra os envolvidos no caso, o antigo Presidente da República não aparece, nem como declarante, como já tinha sido dado a entender por círculos próximos da investigação", refere-se na notícia.

No entanto, prossegue a matéria, o laudo acusatório dá grande destaque a uma carta enviada a Armando Guebuza pelo dono da Privinvest, Iskandar Safa, cuja empresa pagou os subornos alimentados pelo dinheiro das dívidas ocultas.

Na carta, a Privinvest agradece a Armando Guebuza o facto de o Governo da altura ter aceitado a proposta de implementação do projeto de proteção da costa moçambicana.

As autoridades judiciais moçambicanas e norte-americanas consideram que o projeto foi usado como fachada para permitir a drenagem de mais de dois mil milhões de dólares cuja parcela foi usada para o pagamento de subornos a dirigentes moçambicanos e banqueiros e gestores internacionais.

Ainda de acordo com o texto, Ndambi Guebuza terá recebido 33 milhões de dólares (28,9 milhões de euros) em subornos.

A acusação hoje citada pelo Savana dá conta de que o atual Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, foi ouvido como declarante nas investigações, na qualidade de ministro da Defesa à época em que os empréstimos foram concedidos, tal como dois outros antigos ministros e vários dirigentes.

No âmbito do processo das dívidas ocultas, dez pessoas estão detidas de um total de 20 arguidos.

Entre os arguidos, além de Ndambi Guebuza, filho mais velho de Armando Guebuza, inclui-se o antigo ministro das Finanças de Moçambique e atual deputado da Assembleia da República Manuel Chang, que aguarda detido na África do Sul a extradição para Moçambique, tal como foi decidido pelas autoridades sul-africanas.

O processo sobre as dívidas ocultas está relacionado com os avales prestados secretamente pelo anterior Governo moçambicano de mais de dois mil milhões de euros, entre 2013 e 2014, a favor de empresas públicas de pesca e segurança marítima.

A justiça moçambicana e a justiça norte-americana consideram que parte desse dinheiro foi usado para o pagamento de subornos a cidadãos moçambicanos e estrangeiros.

Relacionadas

Exclusivos