Manifestantes apostam na erosão económica

Ativistas no quarto dia de protestos no aeroporto

A erosão económica, sobretudo no setor do turismo, é uma das apostas dos ativistas para pressionar o Governo a aceitar as suas reivindicações

"Não nos estão a dar alternativas. Este é um caminho, mas a culpa é do Governo. Tivemos milhões nas ruas, mas agora é que parece que estão a reagir" por causa do impacto e da visibilidade do protesto naquele que é um dos mais movimentados aeroportos do mundo, disseram à agência Lusa vários manifestantes que pediram para não serem identificados, com medo de retaliações por parte das autoridades.

Ao quarto dia de protesto no aeroporto, com centenas de voos cancelados pelo segundo dia consecutivo, o Governo de Hong Kong anunciou hoje um inquérito formal para investigar as circunstâncias nas quais uma mulher foi atingida gravemente num olho em frente à esquadra de Tsim Sha Tsui no domingo, e que se tornou num símbolo da brutalidade policial.

Confrontada com perdas no setor do turismo, que também já estão a afetar a região administrativa especial de Macau, a chefe do Governo de Hong Kong advertiu hoje que a violência das manifestações pró-democracia está a empurrar o território "para um abismo e mergulhar a sociedade (...) numa situação preocupante e perigosa".

No aeroporto, passeiam-se sentados em carrinhos que deveriam transportar bagagens, empunham cartazes nos quais se denuncia a brutalidade policial, exibem palas que cobrem um dos olhos, tingidas de vermelho, e garantem que vão marcar presença em mais uma grande marcha promovida pela Frente Cívica de Direitos Humanos, agendada para domingo à tarde.

Os protestos em Hong Kong duram há mais de dois meses, têm sido marcados por violentos confrontos entre manifestantes e a polícia, com recentes dados a apontarem para um impacto económico na indústria de viagens na ex-colónia britânica.

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