Governo de Hong Kong diz que retirada da lei é primeiro passo para fim da crise

Carrie Lam

Carrie Lam

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A chefe do Executivo de Hong Kong garantiu hoje que a decisão de retirar por completo a lei da extradição foi uma decisão do Governo, apoiada por Pequim, e é um primeiro passo para ultrapassar o impasse político.

Em conferência de imprensa, Lam lembrou que suspendeu a lei em meados de junho, dias após o início de grandes protestos, e que em julho declarou que as emendas à lei propostas pelo seu Governo estavam efetivamente mortas.

A governante afirmou que a retirada formal da lei da extradição é um primeiro passo dado pelo Executivo para que se estabeleça um diálogo com os manifestantes, de forma a que seja encontrada uma saída para o impasse político que se vive em Hong Kong.

"Incidentes nos últimos dois meses chocaram e entristeceram as pessoas de Hong Kong. Sentimos todos muita ansiedade por Hong Kong, a nossa casa. Todos esperamos encontrar uma saída para o impasse atual e para estes tempos inquietantes", já tinha afirmado na quarta-feira, quando anunciou a retirada formal da lei.

Contudo, no mesmo dia, vários políticos e ativistas pró-democracia, apesar de satisfeitos com a retirada da lei, criticaram o facto de as outras cinco exigências dos manifestantes continuarem a não ter resposta.

Um dos mais conhecidos ativistas, Joshua Wong, que chegou a ser detido na passada semana, sublinhou que a decisão chegou demasiado tarde.

"Em resumo, a repetida incapacidade de Carrie Lam em entender a situação tornou este anúncio completamente desligado da realidade. Ela precisa abordar todas as cinco exigências", entre elas a de eleições livres no território, escreveu na rede social Twitter aquele que é também um dos líderes do Demosisto, partido que defende a autodeterminação de Hong Kong.

Também na quarta-feira, em declarações à Lusa, a porta-voz do movimento pró-democracia que tem liderado os maiores protestos em Hong Kong disse que as manifestações são para continuar.

"Os "slogans" que têm sido entoados nas ruas são claros. "Cinco exigências: nem uma a menos"", disse Bonnie Leung, que é também vice-coordenadora da Frente Cívica de Direitos Humanos (FCDH) que reúne mais de uma dezena de partidos e organizações não governamentais.

"Esta [a lei da extradição] era a mais simples de responder, mas as outras quatro são igualmente importantes", sublinhou, defendendo que "seria também simples aceitar a criação de uma comissão de inquérito independente para averiguar a atuação da polícia" que é acusada de usar força excessiva.

A chefe do Governo de Hong Kong anunciou na quarta-feira a retirada da lei da extradição, que esteve na origem dos protestos que duram há três meses no território.

Esta é a única cedência às cinco reivindicações do movimento pró-democracia por parte de Carrie Lam, que voltou a recusar a criação de uma comissão de inquérito independente e a amnistia aos manifestantes detidos.

Lam disse ainda que a alteração da denominação dos incidentes violentos, que os manifestantes exigem que não sejam chamados de motins, depende das linhas mestras que guiam os processos judiciais.

A governante sustentou a ideia de que a discussão sobre o sufrágio universal para o cargo de chefe de Governo e para o parlamento de Hong Kong deve ser realizada num ambiente favorável e não polarizado, sublinhando, contudo, que esse é um objetivo último inscrito na Lei Básica.

Por outro lado, prometeu iniciar já este mês diligências no âmbito da anunciada plataforma de diálogo com a sociedade e prometeu o desenvolvimento de um estudo para determinar as razões na origem das insatisfações de natureza social.

Motivados pela proposta que permitiria a extradição de suspeitos de crimes para a China continental, os protestos evoluíram para uma campanha pró-democracia, durante a qual mais de um milhar de pessoas foram detidas, entre elas proeminentes ativistas e deputados.

Neste momento, restam quatro reivindicações: a libertação dos manifestantes detidos, que as ações dos protestos não sejam identificadas como motins, um inquérito independente à violência policial e, finalmente, a demissão da chefe de Governo e consequente eleição por sufrágio universal para este cargo e para o Conselho Legislativo, o parlamento de Hong Kong.

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