Deputados pró-democracia detidos

Manifestantes voltaram às ruas de Hong Kong, aproveitando a noite de Halloween

Manifestantes voltaram às ruas de Hong Kong, aproveitando a noite de Halloween

  |  REUTERS/Kim Kyung-Hoon

Três deputados pró-democracia de Hong Kong foram detidos e quatro foram intimados a comparecer na esquadra para ser detidos, um dia depois de a cidade ter vivo mais uma noite marcada por manifestações violentas. A polícia esclareceu que os deputados são acusados de obstruírem a 11 de maio último uma reunião no Conselho Legislativo (parlamento) sobre a proposta de emendas à lei de extradição, a qual originou os protestos que atingem o território há cinco meses.

Os legisladores pró-democracia classificam esta decisão de esta decisão ser uma medida calculada para provocar mais violência, acusando o Governo de, assim, justificar um eventual adiamento das eleições distritais agendadas para o próximo dia 24.

O secretário para os Assuntos Constitucionais e do Continente de Hong Kong, Patrick Nip, já veio negar estas acusações: "Não há correlação entre os dois casos", disse. "A polícia está a trabalhar e a investigar todos os casos."

Sexta-feira, Hong Kong foi palco de uma noite de violência e luto com vários atos de vandalismo e vigílias em protesto contra a morte de um estudante de 22 anos, alegadamente a primeira vítima direta dos confrontos entre manifestantes e polícia registados desde junho.

Milhares de pessoas participaram em vigílias à luz das velas que ocorreram em pelo menos nove distritos durante a noite, de sexta-feira para sábado.

Outros depositaram flores, acenderam velas e escreveram mensagens de condolências no local onde Alex Chow Tsz-lok foi encontrado.

O hospital Rainha Isabel, onde estava internado desde a madrugada de segunda-feira, confirmou que o estudante morreu hoje às 08:09 (00:09 em Lisboa), sem especificar a causa da morte, adiantou o jornal local South China Morning Post (SCMP).

Segundo a rádio local RTHK, Alex Chow foi encontrado inanimado num parque de estacionamento, aparentemente na sequência de uma fuga de uma ação policial contra uma manifestação ilegal em Hong Kong.

O estudante de ciência informática da Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong (HKUST) foi encontrado inanimado no segundo andar de um parque de estacionamento em Tseung Kwan O e que as autoridades admitiram a possibilidade de ter caído do terceiro andar, acrescentou o jornal SCMP.

Momentos antes, a polícia tinha disparado várias granadas de gás lacrimogéneo para dispersar manifestantes, que atiraram garrafas e tijolos contra as forças de segurança.

Os protestos, que se tornaram massivos em junho após uma controversa proposta de lei de extradição (retirada formalmente), transformaram-se num movimento que exige reformas democráticas em Hong Kong.

Durante os mais de quatro meses de manifestações, registou-se uma escalada de violência. Os manifestantes têm acusado a polícia do uso de força excessiva, enquanto as autoridades condenam as táticas violentas de alguns grupos que apelidam de radicais.

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