Decisão da CEDEAO é "sinal forte" e "mete as coisas no devido lugar"

O analista guineense Rui Landim disse hoje que as decisões tomadas sexta-feira pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) sobre a Guiné-Bissau são um "sinal forte" que visam "meter as coisas no devido lugar".

"É um sinal forte para pôr a ordem e meter as coisas no devido lugar. Em primeiro lugar na defesa do Estado de Direito e da legitimidade democrática. A cimeira foi clara: não tolera nenhuma ação que vise subverter a ordem democrática", afirmou à Lusa Rui Landim.

Os chefes de Estado e de Governo da CEDEAO realizaram sexta-feira uma cimeira no Níger, que assume a presidência da organização, e decidiram reforçar a presença no país da Ecomib, força de interposição que está estacionada na Guiné-Bissau desde 2012.

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A CEDEAO recordou também que o Presidente cessante, José Mário Vaz, é um "Presidente interino" desde 23 de junho, quando terminou o seu mandato, e que todos os seus "atos devem ser subscritos pelo primeiro-ministro, a fim de lhe conferirem legalidade".

A organização considerou também que "qualquer recurso às forças armadas ou às forças de segurança para impor pela força qualquer ato ilegal será considerado como um golpe de Estado e levará à imposição de sanções a todos os responsáveis".

"A cimeira deu por fim o mandato do Presidente, salientando que para ter alguma legalidade todos os atos que assumir devem ser validados pelo primeiro-ministro, porque é o único com expressão de soberania popular, que lhe deu um mandato de quatro anos, numas eleições livres, justas e democráticas", afirmou Rui Landim.

Para o analista, o reforço da presença da Ecomib e a visita à Guiné-Bissau de chefes das Forças Armadas de seis países demonstra também que a organização pretende defender a soberania do país e o povo ameaçados pelo "assalto dos barões de droga e chefes jihadistas da zona".

"A CEDEAO está a fazer isto com o respaldo e apoio incondicional de toda a comunidade internacional para não se reproduzir a Somália, Serra Leoa, Libéria, é a sub-região que está em perigo", salientou.

"Isto mostra a determinação de não deixar que se capture o Estado da Guiné-Bissau e o bom que há na Guiné-Bissau. A comunidade internacional vem defender isto", afirmou Rui Landim.

A Guiné-Bissau realiza eleições presidenciais a 24 de novembro, estando a segunda volta, caso seja necessária, marcada para 29 de dezembro.

A campanha eleitoral, na qual participam 12 candidatos aprovados pelo Supremo Tribunal de Justiça, teve início a 02 de novembro e vai decorrer até ao próximo dia 22.

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