Confrontos entre polícia e manifestantes em Hong Kong

Confrontos entre polícia e manifestantes em Hong Kong

REUTERS/Tyrone Siu

A polícia de Hong Kong carregou hoje sobre manifestantes nas imediações do local onde se realizou a cerimónia do 22.º aniversário da transferência de soberania para a China, noticiaram agências internacionais.

Segundo um jornalista da agência France-Presse (AFP) no local, a polícia recorreu a gás lacrimogéneo para dispersar os manifestantes. Pelo menos um pessoa apresentava ferimentos na cabeça.

A intervenção da polícia teve lugar pouco antes da cerimónia do hastear da bandeira, realizada sob alta segurança no Centro de Convenções e Exposições do território.

Líderes e convidados de Hong Kong assistiram à cerimónia dentro do local, em vez de no exterior, como é habitual. O governo atribuiu as alterações ao clima.

A antiga colónia britânica foi palco de manifestações de dimensão histórica ao longo das últimas três semanas. Os manifestantes exigem a retirada de uma proposta de lei que permitiria extradições para a China continental.

Os jornalistas da AFP observaram que pelo menos três avenidas da cidade já foram invadidas por jovens manifestantes que começaram a montar barricadas, numa altura em que é esperada uma nova manifestação esta tarde.

A 01 de julho de 1997, Hong Kong, há 156 anos sob domínio britânico, regressava à soberania chinesa. Tal como eu Macau, dois anos depois, a transferência de soberania decorreu sob o princípio 'um país, dois sistemas', precisamente o que os opositores às alterações da lei garantem estar agora em causa.

Para as duas regiões administrativas especiais da China foi acordado um período de 50 anos com elevado grau de autonomia, a nível executivo, legislativo e judiciário, sendo o Governo central chinês responsável pelas relações externas e defesa.

Propostas em fevereiro, as alterações à lei da extradição permitiriam que a chefe do executivo, Carrie Lam, e os tribunais de Hong Kong processassem pedidos de extradição de suspeitos de crimes para jurisdições sem acordos prévios, como é o caso da China continental.

Lam suspendeu entretanto o debate da proposta de lei, mas mesmo assim não conseguiu apaziguar os manifestantes.

Outra manifestação pró-democracia está marcada para esta tarde, no mesmo percurso que as gigantescas de junho, entre um parque no centro financeiro da cidade e o Conselho Legislativo (LegCo, parlamento).

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