Canadá acusa Myanmar de genocídio

Hamida, uma refugiada rohingya, chora enquanto segura o seu filho de 40 dias, que morreu quando o barco

Hamida, uma refugiada rohingya, chora enquanto segura o seu filho de 40 dias, que morreu quando o barco em que viajavam virou antes de chegar à costa de Shah Porir Dwip, Teknaf, no Bangladesh

  |  Mohammad Ponir Hossain/Reuters

Parlamento reage às descobertas feitas pela ONU sobre crimes contra a humanidade e pede julgamento.

Os deputados do parlamento canadiano votaram por unanimidade e consideraram que o povo Rohingya foi alvo de genocídio por parte dos militares birmaneses. A decisão aconteceu depois de a ONU ter descoberto factos que comprovam que "crimes contra a humanidade foram cometidos contra os Rohingya" e que esses atos foram sancionados pelos principais comandantes militares do Myanmar.

Com este veredito, os legisladores canadianos "reconhecem que esses crimes contra os Rohingya constituem genocídio" e já formalizaram um pedido ao conselho de segurança da ONU para que encaminhe o caso para o tribunal criminal internacional. Ao mesmo tempo, pedem que as altas patentes militares birmanesas sejam investigadas a fundo e processadas pelo crime que terão cometido.

Aos jornalistas, a ministra dos Negócios Estrangeiros do Canadá, Chrystia Freeland, mostrou-se muito preocupada com o que se tem passado no Myanmar, considerando "horríveis" os crimes que têm sido cometidos contra o povo rohingya. "Assumimos que estamos a liderar um movimento de justiça. A moção unânime de hoje (ontem) é um passo muito importante nesse sentido."

Uma decisão das autoridades militares do Myanmar levou mais de 700 mil muçulmanos rohingya a deixar o Myanmar. Obrigados a passar a fronteira para o vizinho Bangladesh, os rohingya, que vivem em campos de refugiados, relatam casos de execuções, violência sexual e destruição das suas casas.

O Bangladesh e o Myanmar já assinaram um acordo de extradição no ano passado, por forma a repatriar a minoria muçulmana, mas o processo estagnou, uma vez que os os rohingya temem pelas suas vidas no regresso a Rakhine.

*com Agências

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