As bandeiras, as t-shirts e outros símbolos de campanha

As bandeiras, as t-shirts e outros símbolos de campanha

As bandeiras e os cartazes dos partidos políticos da Guiné-Bissau passaram a dominar a paisagem de várias cidades para a campanha para as eleições de 10 de março

Basta andar pelas ruas de Bissau, Gabu, Bafatá, Mansoa, Cacheu, Tombali ou Buba para constatar os sinais e artefactos que cada partido ou cada candidato vão espalhando e entregando aos possíveis apoiantes com a finalidade de marcar terreno, fidelizar apoiantes ou firmar compromissos.

As ruas e avenidas de Bissau estão ornamentadas com bandeiras e cartazes.

Praticamente desde o mês de dezembro, que passar por uma avenida e encontrar uma gigantesca bandeira a cruzar as extremidades das estradas não deve constituir surpresa. A bandeira simboliza a crença de que aquela zona é fiel ou, no mínimo não é hostil ao partido.

Os milhares de jovens que "trabalham na colagem dos cartazes" admitem que quando alguém deixa colocar aquele artefacto na sua casa "é sinal de que é desse partido". Os mesmos jovens afirmam que chegar a uma comunidade, bairro ou tabanca e não encontrar o cartaz de um partido é sinal da sua pouca presença no local.

Todos os sítios servem, então, para colar cartazes, afixar uma bandeira, seja ela uma árvore, uma parede, moto, uma bicicleta ou uma piroga

Os únicos sítios onde não se veem cartazes são os lugares de culto (igrejas, mesquitas e templos) e nos edifícios do Estado, mas tanto nos lugares de culto, como nas repartições públicas é normal ver pessoas com t-shirts de diferentes partidos.

Outros elementos de "pertença partidária" são os bonés, os cachecóis, os panos, os lenços e os cordões em linha que os apoiantes trazem pendurados no pescoço ou nas viaturas.

Vendo alguém com um desses artefactos será fácil perceber de que partido ou que candidato a deputado apoia.

Num país em que a maioria do eleitorado é analfabeta, a imagem e a rádio acabam por ser veículos privilegiados de comunicação e propaganda, daí que os candidatos ou os próprios partidos apostem cada vez mais em se fazerem conhecer colocando na rua cartazes ou t-shirts com fotografias do candidato a deputado ao lado do símbolo do partido.

Os partidos é que são concorrentes às eleições legislativas mas como uma grande franja de eleitores tem dificuldades em decifrar os símbolos, os candidatos a deputados tentam colar ao máximo as suas imagens à dos partidos e desta forma ganhar votos.

Os partidos ou candidatos com mais dinheiro confecionam e distribuem esses cartazes ao mesmo tempo que dão telemóveis aos seus militantes, outros dão bicicletas e outros ainda oferecem carros.

Como a lei na Guiné-Bissau isenta os partidos de pagamento de taxas alfandegárias para material de propaganda eleitoral, é normal encontrar neste período carros de todas as proveniências e espécies, a entrarem pela mata adentro em ação de campanha, levando militantes aguerridos.

Esses carros, por serem novos, ainda ostentam o plástico com o qual são forrados os bancos.

Também é normal constatar festas nas comunidades, sem qualquer motivo, apenas porque um candidato ou partido pagou um boi, deu arroz, bebidas alcoólicas e ainda disponibilizou material de som aos eleitores para fazer "um djumbai", (uma tertúlia livre).

Na realidade, esses momentos servem para o candidato ou partido passar a sua mensagem de campanha.

Ter uma casa por alugar e se for próxima da estrada rende dinheiro nestas alturas da campanha eleitoral. É que os partidos ou candidatos também mostram a sua presença e força pela quantidade de sedes que conseguem abrir nas comunidades.

Não é estranho encontrar na mesma rua duas ou mais sedes do mesmo partido, o que simboliza a presença daquela formação política na zona.

Regra geral, as sedes são alugadas para dois ou três meses e são pagas do bolso do candidato ou de algum militante destacado.

Alugada, a casa, ou parte dela, é pintada com as cores do partido, ou passa a ostentar na fachada o rosto ou um cartaz gigante do candidato a deputado e é logo local de convívio dos apoiantes.

Finda a campanha eleitoral e proclamados os resultados eleitores, o problema é o da cobrança do aluguer da casa e a retirada da pintura e do material de campanha. Muitas vezes os casos acabam na polícia ou nos órgãos de comunicação social, com os senhorios a fazerem queixa.

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