Premium A primeira digressão no estrangeiro do Presidente Tshisekedi

O antigo líder da oposição congolesa que sucedeu a Kabila realiza esta semana a sua primeira digressão no estrangeiro como presidente da RD Congo

O novo Presidente da República Democrática do Congo (RDCongo), Félix Tshisekedi, vai realizar esta semana o seu primeiro périplo ao estrangeiro com início na terça-feira em Angola, seguindo-se o Quénia e depois o Congo-Brazzaville, apurou o Le Monde junto de fontes do círculo presidencial.

Tshisekedi começou esta terça-feira em Luanda numa visita que surgiu a convite do Presidente angolano, João Lourenço. Os dois países partilham uma fronteira terrestre de cerca de 2.500 quilómetros. A última visita de um Presidente da RDCongo a Angola foi efetuada a 3 de agosto, quando o então chefe de Estado congolês Joseph Kabila se deslocou a Luanda também para conversações políticas.

Quinto Presidente da RDCongo, Félix Tshisekedi, 55 anos, é líder da União para a Democracia e o Progresso Social (UDPS), o maior e mais antigo partido de oposição do país, como recorda a Lusa.

Tshisekedi está apostado em "relançar as relações" com Angola, Quénia e o Congo-Brazzaville antes da cimeira da União Africana prevista para meados de fevereiro, segundo o Le Monde.

Durante a visita do seu homólogo congolês, o Presidente angolano afirmou esta terça-feira a vontade de reforçar a segurança e o controlo da imigração ilegal com a República Democrática do Congo, assumindo como aposta o comércio transfronteiriço entre ambos os países.

João Lourenço disse que os dois presidentes estão de acordo quanto à necessidade de haver paz e estabilidade na RDCongo, desde logo para aumentar as trocas comerciais e explorar novos projetos, sobretudo no enclave de Cabinda, através do fornecimento de energia elétrica a partir da barragem congolesa de Inga.

Esta deslocação oficial do novo Presidente da RDCongo a Luanda realizou-se poucos meses depois de João Lourenço, durante a sua visita de Estado a França e ao lado do Presidente francês, Emmanuel Macron, ter instado Kabila ao "respeito" pelo acordo com a oposição para não se recandidatar, tal como a Constituição determinava.

Kabila saiu ao fim de 18 anos

Vários países africanos e europeus saudaram a eleição do antigo líder da oposição na RDCongo, o maior país da África subsariana. Proclamado eleito pelo Tribunal Constitucional a 20 de janeiro, Tshisekedi sucedeu a Joseph Kabila que esteve no poder durante 18 anos.

Dos três chefes de Estado que Tshisekedi vai agora cumprimentar na sua primeira deslocação presidencial ao estrangeiro apenas o Presidente do Quénia, Uhuru Kenyatta, esteve presente na cerimónia de passagem do poder e de investidura do novo Presidente da RDCongo no dia 24 de janeiro em Kinshasa.

Filho do falecido Étienne Tshisekedi, três vezes primeiro-ministro do ex-Zaire (1991, 1992/93 e 1997) e líder da oposição, Félix Tshisekedifoi o candidato da UDPS nas eleições gerais de dezembro de 2018, nomeado a 31 de março de 2018, cerca de dois meses depois da morte do pai, referiu a Lusa.

A 20 de janeiro último, Tshisekedi foi confirmado vencedor do pleito de 30 de dezembro de 2018 pelo Tribunal Constitucional da RDCongo, obtendo 38,57% dos votos, contra 34,83% de Martin Fayulu e 23,84% de Emmanuel Ramazani Shadary, o candidato governamental.

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