Marcelo fala da importância da presença de empresas portuguesas na China

Marcelo fala da importância da presença de empresas portuguesas na China

O Presidente da República considerou que a presença na China de empresas portuguesas "é muito mais importante" do que a das empresas chinesas em Portugal e expressou a ambição de "exportar mais" para o mercado chinês.

Marcelo Rebelo de Sousa falava ontem, domingo, perante representantes de alguns dos maiores exportadores portugueses para o mercado chinês, como a empresa de celulose Caima, a cervejeira Super Bock, as construturas Mota-Engil e Teixeira Duarte, o grupo têxtil TMG e a empresa de calcários Filstone.
O chefe de Estado recebeu os empresários portugueses num jantar em Pequim, na residência do embaixador de Portugal na China. No dia anterior tinha jantado no mesmo lugar com dirigentes das principais empresas chinesas com investimentos em Portugal, entre as quais China Three Gorges, State Grid, Fosun e Haitong.
"Como compreendem, foi muito agradável o jantar de sábado, mas é mais importante o jantar de hoje. É muito importante ter chineses em Portugal, mas é muito mais importante ter portugueses na China, como se compreende. É isso que vos queria dizer", afirmou.
Numa curta intervenção, o Presidente da República agradeceu aos seus convidados aquilo que "têm feito para a afirmação económica de Portugal na China, que é essencial", acrescentando: "Olhando para a balança comercial, queremos mais, queremos muito mais, no que nos toca. Queremos exportar mais, queremos estar mais presentes, queremos investir mais aqui".
À margem do jantar e em declarações aos jornalistas, Nuno Correia, da Agrupalto - Agrupamento de Produtores Agropecuários (carne de porco), e Agostinho Dolores Ferreira, da Caima (têxteis), deixaram um par de conselhos a quem quer exportar para a China: é preciso quantidade e é recomendável ter um parceiro local.
Nuno Correia referiu que a Agrupalto só conseguiu começar a vender carne de porco para a China no ano passado, após dez anos a "tentar entrar no mercado", e salientou a importância da capacidade de produção.
"A China, se não tivermos capacidade de fornecimento, nem sequer quer iniciar o negócio. Nós decidimos juntar-nos ao segundo maior produtor [de carne de porco em Portugal]. Atualmente produzimos cerca de 27 mil animais por semana, e cerca de 10 mil vêm para aqui", disse.
Para Nuno Correia, "é fundamental" ter "um parceiro forte" local para entrar no mercado chinês. "Esse é um conselho que eu dou", acrescentou.
Quanto ao longo processo negocial para a entrada, que só se concretizou em meados de 2018, considerou que o que fez a diferença "foi trabalhar em equipa junto com o Governo".
Também Agostinho Dolores Ferreira, administrador da indústria de celulose Caima, que desde 2012 vende pasta solúvel para a China, utilizada para a produção de viscose, subscreveu que "é preciso ter quantidade".
"Se não, não vale a pena vir para cá. E depois é preciso arranjar o parceiro. Pode não ser necessariamente local, mas tem de ser um parceiro que conhece a China e que tem os contactos. Para fazer negócios cá, é preciso falar chinês, alguém que o traduza e em quem tenhamos confiança", aconselhou.

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