"Criámos um sistema de incubação em rede"

"Criámos  um sistema de incubação em rede"

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O Vale do Empreendedorismo Jovem de Macau em Hengqin (Vale do Empreendedorismo) é uma plataforma de inovação e empreendedorismo criada especialmente pela Administração de Hengqin ao serviço de jovens das duas margens [Macau e Zhuhai] e estudantes estrangeiros.

Atualmente é operado pela Hengqin Financial Investment, sendo este um dos projetos-chave na zona-piloto de comércio livre na China (Guangdong).

Localizado em frente ao porto de Hengqin, o vale cobre uma área de 128 mil metros, com uma área de construção de 137 mil metros, contando com escritórios, serviços comerciais e alojamento, e pretende criar um serviço e plataforma única e completa para empresas start-ups.

Em entrevista ao PLATAFORMA Xu Mu, diretor-geral da Hengqin Financial Investment, explicou o processo de candidatura e funcionamento do Vale do Empreendedorismo e como este poderá ajudar no desenvolvimento de start-ups.

- Porque decidiu criar um espaço como o Vale do Empreendedorismo?

Xu Mu - Primeiramente gostaria de apresentar o grupo Hengqin Financial Investment. O nosso desejo é ajudar a que toda a indústria se desenvolva.

A comissão de administração de Hengqin dá grande importância à cooperação entre Guangdong, Hong Kong e Macau, e por isso criámos uma plataforma de cooperação com Macau. A cooperação é uma das prioridades, assim como poder oferecer aos jovens de Hong Kong e Macau, especialmente a estes últimos, formas de inovar e empreender, promovendo a diversificação a nível da indústria na cidade.

Esta plataforma foi criada a 29 de junho de 2015, e ao longo dos últimos 3 anos já recebemos mais de 180 projetos, dos quais 162 com origem em Hong Kong e Macau.

O nascer destes projetos é variado. Estabelecemos laços próximos com associações relevantes em Hong Kong e Macau, incluindo a Direção dos Serviços de Economia de Macau (DSE), com a qual já definimos um acordo de cooperação.

Ao mesmo tempo, através dos media, incluindo canais próprios, recrutamos abertamente jovens. O processo de candidatura é bastante simples, com acesso imediato ao vale após avaliação positiva da candidatura. Todos os anos oferecemos ainda 10 vagas de acesso à DSE, dirigidas a projetos de Macau.

Voltando à empresa, a base é o financiamento. Então por que razão criámos uma plataforma de incubação? Na verdade, a área mais subdesenvolvida do empreendedorismo, além dos recursos humanos, é a de financiamento. O grupo procura, por isso, através dos recursos financeiros próprios criar um ecossistema financeiro subsistente, possibilitando um início a vários empreendedores, oferecendo-lhes possibilidades de capital ao longo das várias fases de desenvolvimento.

Por exemplo, para uma fase inicial temos um investimento de capital protegido (angel capital, na versão inglesa), seguido de outras possibilidades de financiamento, incluindo capital de risco. Queremos assim, em todas as fases, oferecer apoio e financiamento. Foi por isso que achamos que a criação de uma plataforma como esta seria a melhor solução.

- Pode descrever o processo de incubação em detalhe?

X. M. - O nosso processo de incubação é muito mais do que isso. É um apoio para as várias fases de crescimento destas empresas, é um processo em cadeia, oferecendo espaços de trabalho, incubação e ainda aceleração do desenvolvimento.

Por exemplo, é como se o espaço de trabalho oferecido servisse como um infantário. Empresas que estejam apenas a começar podem usufruir dessa solução. Muitas vezes não têm uma equipa formada, estão ainda com tecnologia e mercado por definir, e por isso precisam de uma espécie de babysitting. É uma fase em que mais precisam de um espaço para se desenvolverem.

Após esse período, quando uma equipa base já está formada e as empresas já têm o plano de desenvolvimento do produto mais ou menos definido, entram na chamada fase de incubação. Nesta altura muitas vezes o apoio mais importante é o financiamento, incluindo, além de capital, necessidades no desenvolvimento de tecnologia, recrutamento de recursos humanos, entre outros. Ao mesmo tempo, nesta fase de incubação garantimos comunicação e interação entre os vários empreendedores, que é, continuando a analogia, como uma entrada no ensino básico.

Na fase seguinte, estas empresas e produtos entram no mercado. É uma altura de crescimento, e as equipas de trabalho destas empresas vão ficando cada vez mais definidas. A maior necessidade aqui é uma ajuda e apoio na entrada no mercado, e por isso chamamos-lhe a fase de aceleramento. Por vezes a necessidade de capital aqui é ainda maior e com maior foco no mercado, podendo então ser comparada ao ensino secundário.

Esta última fase tem por base um conceito de parque industrial. E é também nesta altura que as empresas podem entrar no mercado de capital e abrir a empresa a investidores (bolsa).

É basicamente um desenvolvimento em cadeia e possuímos, por isso, vários espaços dedicados a diferentes fases de desenvolvimento. Um negócio que se assemelha às fases de crescimento de uma pessoa.

Todo o processo que acabei de descrever resolve apenas problemas relacionados com espaço, é apenas o plantar de uma semente. Mas empresas em crescimento ao longo do desenvolvimento precisam também de experienciar o mundo. Precisam de capital, de recursos humanos, de apoio, de desenvolvimento tecnológico e ligações ao mercado. E esse é o nosso foco. Mas o mais importante deste vale não é o espaço físico, mas sim ajudar a que estas empresas cresçam além destes espaços e entrem no mundo real.

- E como é que se concretiza?

X. M. - Primeiramente, o financiamento está dependente do grupo e de outros recursos de capital de Hengqin. Por isso trabalhamos também em colaboração com o Departamento das Finanças, criando uma plataforma em que são reunidos recursos financeiros. Através desta plataforma organizamos também atividades de interação online e offline, fazendo com que pequenas empresas se juntem e formem parcerias. Assim podem procurar o tipo de capital de que necessitam e desenvolver relações segundo as necessidades. Esta é uma solução para os problemas de financiamento de empresas.

Outra parte do projeto inclui uma vertente tecnológica, que indica a estas empresas formas de aproveitar certas medidas e políticas. Por um lado, para este desenvolvimento é necessário construir uma plataforma para comunicação e treino, possibilitando a que não só tenham acesso a estas medidas, como também a outros tipos de conhecimento. Aqui, a forma como uma empresa é estruturada é muito importante. É preciso definir um plano estratégico com base nos problemas que enfrentam, porque estas não são só pequenas empresas, mas sim empresas com futuros ainda por definir. Precisam por isso de ajuda para saber se o desenvolvimento atual é o correto, apoiando-as a definir uma direção. Se este plano não for devidamente definido, todo o trabalho será em vão. Porém, ainda não existe conhecimento suficiente sobre as verdadeiras necessidades destas empresas.

Para tal, colaboramos com os Departamentos do Comércio de Macau e Zhuhai, e esperamos que através desta plataforma e cooperação possamos aprender e trabalhar conjuntamente e promover o rápido desenvolvimento destas empresas.

Foi ainda criada uma "plataforma de conhecimento" que procura formas de introduzir e servir vários talentos neste âmbito. Além de oferecer acesso a informação, financiamento e vários canais de comunicação, possibilita a esses talentos formas de comunicar com jovens de Hong Kong e Macau.

Por último, contamos ainda com uma plataforma de "colaboração inovadora". Claro que esta não cobre todos os aspetos possíveis, mas através dela estas empresas podem encontrar soluções para as necessidades que enfrentam no processo de desenvolvimento, relacionadas com produção, pesquisa, desenvolvimento, etc. Numa era como a atual, marcada pela internet, o mais importante não são os recursos, mas a forma como estes são usados. A forma como ligamos vários destes recursos na plataforma, através de "links", torna a mesma numa ferramenta de incubação. Por exemplo, muitas vezes jovens de Hong Kong e Macau não possuem um conhecimento muito vasto sobre as medidas e políticas do continente. Por isso criámos um serviço especializado em assuntos legais, de direitos de autor, de pesquisa e desenvolvimento, de alta qualidade e a baixo custo. Esta também é outra forma de oferecermos apoio.

De certa forma estamos a fazer uma incubação de plataformas e, quer seja através destes recursos ou de recursos exteriores, o importante é que as empresas tenham acesso aos mesmos durante o período de desenvolvimento.

- Que tipo de empresas se podem candidatar ao Vale do Empreendedorismo?

X. M. - Temos preferência por projetos de Macau. Devido às condições especiais da região, os requisitos para os jovens desta cidade são um pouco mais baixos. Mas esperamos que mais jovens, tanto de Macau como de Hong Kong, possam tirar proveito da plataforma.

Esta é uma plataforma aberta, partilhada. Por isso convidamos a que pessoas de todas as partes do mundo venham até Hengqin para inovar e criar. Esperamos estar não só integrados na Área da Grande Baía, como no mundo, tal como é um objetivo de Hengqin.

O próximo passo é, além de cooperações com departamentos governamentais, entrar diretamente em Macau e Hong Kong, criando uma maior proximidade com a juventude destas regiões, procurando compreendê-los e ajudá-los como ponte com o continente.

Assim, iremos de seguida criar uma série de pontos em Macau. Promovendo a plataforma através desses pontos, empresas interessadas poderão entrar em contacto direto connosco. Iremos também colaborar com universidades de Macau. Muitos destes projetos inovadores nascem em universidades, e a Universidade de Macau, por exemplo, possui um Instituto de Inovação, fonte de vários sucessos.

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