Anadarko, líder do projeto de gás moçambicano, vendida por 55 mil milhões à Occidental

A petrolífera norte-americana Occidental Petroleum comprou, por 55 mil milhões de dólares (49 mil milhões de euros), a sua rival Anadarko, companhia que lidera um dos maiores projetos de gás natural em marcha em Moçambique e em África, foi hoje anunciado.

A compra foi aprovada por unanimidade pelos acionistas da Occidental, que assumiu a dívida da sua rival. A Oxxy, como é habitualmente apresentada, espera obter com a fusão uma poupança anual de 3,5 milhões de dólares, fruto de sinergia em custos e pessoal.

"Agora que a oferta de categoria mundial passa a integrar oficialmente a Occidental, começamos o nosso trabalho para fundir as duas companhias e tirar um valor significativo para os acionistas desta combinação", referiu, em comunicado, a diretora executiva da Oxxy, Vicki Hollub.

A Occidental bateu na corrida pela compra da Anadarko a também norte-americana Chevron, uma das maiores empresas mundiais do ramo energético, especialmente petrolífero.

O multimilionário Warren Buffett contribuiu com 10 mil milhões de dólares para a compra da Anadarko, empresa cujos ativos incluem um gigantesco campo no Texas, considerado uma das maiores reservas de crude no mundo.

Depois de completada a fusão, a Occidental vai vender os projetos da Anadarko em África à francesa Total - incluindo a Área 1 da bacia do Rovuma, no norte de Moçambique, um investimento de 25 mil milhões de dólares, segundo foi anunciado esta semana.

A venda do conjunto de empreendimentos africanos à Total por 8,8 mil milhões de dólares consta já de "um memorando de entendimento, datado de 03 de maio de 2019", entre a Oxxy e a Anadarko.

A Occidental e a Total pretendem celebrar um contrato definitivo de compra antes de a fusão com a Anadarko ser fechada, o que por sua vez deverá acontecer até final do ano, refere o documento da administração, ressalvando que a data depende de processos que envolvem outras entidades.

Mesmo que o prazo não seja cumprido, o memorando de entendimento deixa uma margem confortável para que o negócio aconteça: até 01 de dezembro de 2020.

A nível global, a Total é um dos principais grupos mundiais de petróleo e uma empresa que conhece Moçambique.

A Total está presente no país no negócio dos postos de combustível e tem um historial de pesquisa de hidrocarbonetos ao largo da costa moçambicana, atividade em que participou até há três anos.

Após concluídos os negócios em preparação, deverá substituir a Anadarko como líder do consórcio da Área 1 de exploração de gás natural liquefeito (GNL), no norte de Moçambique, cuja produção deverá arrancar em 2024.

Os projetos de gás da Área 1 e Área 4 (liderado pela Exxon e Eni) deverão colocar Moçambique no 'top 10' dos maiores produtores mundiais e acelerar o crescimento económico para incrementos entre 7% a 10% ao ano.

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