A vez de Shenzhen

A vez de Shenzhen

DR

Governo Central quer elevar o papel de Shenzhen no plano de integração regional da Grande Baía.

As aparências nem sempre iludem e as coincidências existem. Com Hong Kong a viver a crise de maior impato mediático desde Tiananmen, já lá vão 30 anos, Pequim anunciou esta semana a elevação do estatuto de Shenzhen. Não é uma cidade qualquer no panorama da segunda maior economia do mundo. É a cidade encostada à antiga colónia britânica e ostenta a singularidade de ser a primeira zona económica especial criada pela China em 1979, no âmbito da política de reforma e abertura lançada pelo então líder do país Deng Xiao Ping.

Não foi preciso esperar muito mais do que dois meses - período que já leva a contestação em Hong Kong ao Governo de Carrie Lam, sob pretexto de uma proposta de alteração à Lei da Extradição, entretanto suspensa - para Pequim anunciar a elevação do papel de Shenzhen no plano de integração regional da Grande Baía, com promessas de uma ainda maior abertura económica na cidade fronteiriça.

No total de 19 medidas publicadas - sob orientação do Comité Central do Partido Comunista da China (PCC) e do Conselho de Estado - descreve-se que até 2025 Shenzhen irá estar entre "as cidades do mundo mais fortes a nível económico e de qualidade de desenvolvimento, com um grande investimento na indústria de pesquisa e desenvolvimento e uma capacidade de inovação industrial de nível internacional". As novas orientações pedem a Shenzhen para agarrar "as oportunidades e aprimorar as funções como ´motor central´ da Grande Baía", um projeto que visa construir uma metrópole mundial e que integra nove cidades da província de Guangdong, Hong Kong e Macau, criando um mercado único, onde a conectividade entre as vias rodoviárias, ferroviárias e marítimas é fator estrutural.

De acordo com dados de 2017, a população das 11 cidades fixava-se nos 70 milhões e o Produto Interno Bruto (PIB) de toda a região elevava-se aos 1,5 biliões de dólares, valor que analistas acreditam poder mais do que duplicar no próximo decénio.

Outra das diretrizes saídas da cúpula chinesa aponta para o reconhecimento mútuo entre os mercados financeiros de Shenzhen, Hong Kong e Macau, para internacionalizar o renminbi, explorando nova regulamentação financeira transfronteiriça.

Analistas admitem que estas medidas podem colocar Shenzhen no topo das cidades chinesas ao nível do investimento. O PIB de Shenzhen ultrapassou os 338 mil milhões de dólares, à frente de Hong Kong ou Singapura, em 2017.

As novas indústrias 5G e de inteligência artificial, o entretenimento e a cultura digital e o desenvolvimento financeiro são algumas das áreas que vão beneficiar das novas orientações de Pequim para Shenzhen.

Aparentemente, para evitar dúvidas ou hesitações o Global Times, jornal oficial ligado ao PCC publicado em língua inglesa, escreveu: "Shenzhen será um exemplo para os moradores de Hong Kong e outras cidades da região, sobre como melhor integrar a política local e os mecanismos de apoio ao desenvolvimento nacional".

Relacionadas

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG