"Situação em Hong Kong não vai afetar imagem como centro financeiro"

Eddie Yue é o diretor executivo da Autoridade Monetária de Hong Kong

Eddie Yue é o diretor executivo da Autoridade Monetária de Hong Kong

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O líder da Autoridade Monetária de Hong Kong, Eddie Yue Wai-man, assegurou que o sistema de taxa de câmbio fixa da região "tem servido a função para que foi criado, não existindo, por isso, qualquer vontade ou intenção de o alterar".

"Ao mesmo tempo, Hong Kong garante a livre circulação de capital, não planeando impor qualquer controlo sobre moedas estrangeiras. O sistema bancário de Hong Kong é sólido, com capital e liquidação suficiente para aguentar qualquer choque", disse o responsável, na abertura da "Cimeira Económica de Hong Kong 2020", na passada segunda-feira.
A recente onda de protestos em Hong Kong dura há cerca de seis meses e durante o período não existiu qualquer necessidade de acabar a ligação entre o dólar de Hong Kong e o dólar norte-americano, apesar de Kyle Bass, da Hayman Capital, ter afirmado, por várias vezes, que a moeda da região estava a perder valor.
Eddie Yue Wai-man aproveitou a oportunidade para responder a várias questões, principalmente algumas preocupações em relação ao mercado local.
"Tanto nos números de troca de moeda, como de depósitos, não parece haver grande saída de capital", respondeu o responsável, quando lhe perguntaram sobre uma alegada fuga de capitais de Hong Kong.
O presidente da Autoridade Monetária de Hong Kong insistiu a defender que, segundo o sistema de taxa de câmbio fixa em Hong Kong, uma grande venda da moeda local poderá afetar negativamente a taxa de câmbio e até ativar a ´conversão do lado fraco´ (weak-side Convertibility Undertaking).
Para Eddie Yue Wai-man, o sistema de taxa de câmbio de Hong Kong é "rigoroso, transparente e sólido".
"Quando a taxa de câmbio do dólar de Hong Kong se torna débil é ativada a 'conversão do lado fraco', ou seja, a Autoridade Monetária local compra moeda local com US dólares, reduzindo assim o saldo agregado do sistema bancário. Em resultado, as taxas de juro da moeda local sobem, reduzindo o incentivo à saída de capitais. Este ajuste automático tem tido sucesso na salvaguarda da estabilidade da taxa de câmbio do dólar de Hong Kong", disse.
Porém, prosseguiu, isso não tem acontecido nos últimos meses. Nos tempos mais recentes, os depósitos totais em bancos de Hong Kong, incluindo depósitos em moeda local têm continuado estáveis, tendo até crescido dois por cento entre o princípio do ano e o mês de outubro. Mesmo após os eventos mais recentes, entre junho e o final de outubro, os depósitos cresceram 0,9 por cento.
"Na verdade, como centro financeiro internacional, Hong Kong permite uma livre circulação de capitais. Por isso é comum ver estes números a variar ao longo do espaço de vários meses. Este fluxo não é assim tão relevante", assegurou Eddie Yue Wai-man.
Confrontado sobre a eventualidade de Hong Kong se deparar com "uma grande saída de capitais", o especialista partilhou que a entidade que dirige tem os recursos necessários para garantir estabilidade financeira na cidade.
"Temos bastantes ferramentas poderosas", salientou Eddie Yue Wai-man.
"A base monetária de Hong Kong é apoiada por reservas de moeda estrangeira. Este fundo monetário contém mais de quatro mil milhões de dólares de Hong Kong, mais do dobro da Base Monetária de Hong Kong, da qual mais de 80 por cento é constituída por reservas em moeda estrangeira de elevada liquidez. E mesmo na eventualidade de uma grande saída de capital, temos capacidade para lidar com a situação", garantiu o responsável.
Salientou ainda que durante os últimos meses alguns especuladores criaram rumores sobre a moeda de Hong Kong e o sistema de taxa de câmbio, mas garantem que vão continuar a funcionar, demonstrando a confiança que o mercado tem no sistema financeiro de Hong Kong.
Sobre a preocupação do público em geral acerca da "possibilidade dos últimos acontecimentos porem em causa o estatuto de Hong Kong e o nível de competitividade como centro financeiro internacional", Eddie Yue Wai-man considerou que, de acordo com a comunicação que a Autoridade Monetária mantém com uma série de instituições internacionais de investimento, "Hong Kong continua a ser um lugar atrativo".
"Este é o mercado escolhido como entrada no Continente chinês, e a ligação ao mercado internacional através do 'Um País, Dois Sistemas'", enfatizou.
Para Eddie Yue Wai-man, há ainda outras vantagens como a legislação, os sistemas fiscal e administrativo, as infraestruturas e os recursos humanos, que não podem rapidamente ser substituídos.
Como resultado, prosseguiu, "apesar dos acontecimentos dos últimos meses, os mercados financeiros continuam a funcionar normalmente, com instituições e empresas a conseguirem continuar a iniciar ofertas públicas e a emitir títulos de ativos. Esta é a melhor prova de que Hong Kong continua a funcionar como um centro financeiro internacional".
O dirigente enumerou as duas grandes oportunidades que o setor financeiro de Hong Kong enfrenta no futuro, assinalando que a primeira será a continuação da abertura do mercado financeiro da China continental, e a segunda o rápido desenvolvimento de tecnologia financeira.
De acordo com o especialista, espera-se que o Continente continue a desenvolver a abertura de mercado e os respetivos mercados financeiros.
"O balanço de capital, a internacionalização da moeda chinesa, o investimento em infraestruturas, sob a da iniciativa 'Uma Faixa, Uma Rota', o desenvolvimento da Área da Grande Baía e da área financeira sustentável vão garantir que Hong Kong continua a ser insubstituível", reforçou.
Considerou igualmente que, "para apoiar a economia e melhorar a qualidade de vida dos residentes da Área da Grande Baía, é importante promover a circulação de capitais".
"Por isso, a Autoridade Monetária de Hong Kong tem ativamente estudado e promovido medidas que poderão ajudar na integração financeira entre indivíduos, empresas e instituições financeiras", assegurou.
Salientou ainda que o sistema de "gestão financeira" transfronteiriça, anunciado no mês passado, é uma política revolucionária, oferecendo a residentes de ambas as regiões mais opções de gestão financeira.
"A região da Área da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau é uma das regiões mais ricas da China. Segundo dados estatísticos, conta com mais de 400 mil residências, cada uma com cerca de 10 milhões de RMB em bens. Estas famílias representam 20 por cento do total nacional de famílias de alto rendimento. O sistema de gestão financeira poderá ajudar na abertura do mercado financeiro em Hong Kong e no Continente, criando mais oportunidades de desenvolvimento", sustentou Eddie Yue Wai-man.
"Estamos a trabalhar com autoridades oficiais do Continente para garantir que este mecanismo entra em funcionamento o mais rápido possível" concluiu.

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