Premium Princípio "um país, dois sistemas" é base para desenvolver área da Grande Baía

A man sets up his camera as he looks across Deep Bay towards the Chinese mainland city of Shenzhen's

A man sets up his camera as he looks across Deep Bay towards the Chinese mainland city of Shenzhen's (back) skyline from Hong Kong on September 12, 2018. (Photo by Anthony WALLACE / AFP) (Photo credit should read ANTHONY WALLACE/AFP/Getty Images)

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O princípio "um país, dois sistemas" é o alicerce para garantir o desenvolvimento da região da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, sublinharam hoje responsáveis chineses e das duas regiões administrativas especiais.

A defesa do princípio "um país, dois sistemas", criado nos anos 1970 pelo líder chinês Deng Xiaoping, dominou as intervenções proferidas por cinco responsáveis durante o simpósio de apresentação do plano de desenvolvimento para o delta do rio das Pérolas, em Hong Kong.

"Atuaremos de maneira a que este princípio ['um país, dois sistemas'] nunca seja alterado ou questionado", afirmou o subdiretor da Comissão para o Desenvolvimento e Reforma chinesa, Lin Nianxiu.

Para o responsável, este projeto de desenvolvimento económico, tecnológico e de inovação, que congrega "três territórios, três fronteiras e três moedas", vai ser "um motor" de crescimento da China, dando continuidade também à política "de abertura e reforma", iniciada há 40 anos.

Também o diretor do departamento para a economia regional da mesma comissão, Guo Lanfeng, destacou o modelo "um país, dois sistemas", em vigor nas regiões administrativas especiais chinesas de Macau e de Hong Kong, como uma das "vantagens do projeto da Grande Baía, que é, por sua vez, uma manifestação" daquele princípio.

"Precisamos manter as características, como 'um país, dois sistemas'", realçou Guo, acrescentando que "a diversidade" na Grande Baía é também um fator de "complementariedade entre cidades".

Guo Lanfeng destacou que um dos pontos chave é o "desenvolvimento verde", num projeto "fundado com base na inovação", marcado por uma "cooperação global e sinergética" e com alta conectividade, referindo-se à ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau e à linha de alta velocidade entre a antiga colónia britânica ao continente.

Para o desenvolvimento da área da Grande Baía, é fundamental o aumento do fluxo de pessoas e bens, capital e informação, o que implica também uma melhor e maior coordenação entre as diferentes fronteiras, sublinhou.

Já o governador da província de Guangdong, Ma Xingrui, considerou a ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau como o motor de arranque do projeto da Grande Baía, que vai marcar "uma nova era", ao mesmo tempo que será parte do "desenvolvimento e aprofundamento da política de abertura e reforma" do país.

"Com 'um país, dois sistemas', Hong Kong e Macau vão trabalhar nas suas áreas de interesse" para a criação de "mais centros de inovação, tecnológicos e científicos", disse.

A ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau e outras formas de conectividade vão servir para "criar um corredor de uma hora para transportes" na zona da Grande Baía e assim permitir a implantação de "indústrias mais competitivas que também participarão" na iniciativa 'Uma Faixa, Uma Rota", acrescentou.

Para a chefe do Executivo da Região Administrativa Especial de Hong Kong, Carrie Lam, a integração no plano de desenvolvimento da Grande Baía pode trazer "nova energia" ao território e "oportunidades aos jovens" empreendedores, considerando que algum protecionismo tem posto em causa a influência de Hong Kong.

Através do princípio "um país, um sistema", e do desenvolvimento coordenado da área da Grande Baía, o papel de Hong Kong sairá reforçado como "grande centro" financeiro, comercial, tecnológico, científico e de transportes (marítimos e aéreos), afirmou a responsável.

No simpósio de apresentação das "Linhas Gerais do Planeamento para o Desenvolvimento da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau", projeto que o Presidente chinês, Xi Jinping, considerou a "revitalização da nação", foram ouvidas as intervenções de cinco responsáveis: Carrie Lam, Lin Nianxiu, Ma Xingrui, do chefe do Executivo de Macau, Fernando Chui Sai On, e Guo Lanfeng.

O objetivo é construir uma metrópole mundial a partir de Hong Kong e Macau, e nove cidades da província de Guangdong (Dongguan, Foshan, Cantão, Huizhou, Jiangmen, Shenzhen, Zhaoqing, Zhongshan e Zhuhai), numa região com cerca de 70 milhões de habitantes e com um Produto Interno Bruto (PIB) que ronda os 1,3 biliões de dólares norte-americanos, maior que o PIB da Austrália, Indonésia e México, países que integram o G20.

De acordo com o documento agora apresentado, a Grande Baía vai converter-se, até 2022, num "cluster" de classe mundial e, até 2035, numa área de excelência a nível internacional.

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