Patronato moçambicano alerta para "tremendo choque" com aumento de reservas obrigatórias

Patronato moçambicano alerta para "tremendo choque" com aumento de reservas obrigatórias

D.R.

A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) alertou nesta terça-feira para o risco de a decisão do Banco de Moçambique, de aumentar a taxa de reservas obrigatórias em moeda externa, provocar "um tremendo choque" à economia nacional.

O Comité de Política Monetária (CPMO) do Banco de Moçambique aumentou no dia 6 deste mês a taxa de reservas obrigatórias para passivos em moeda externa em 900 pontos base, para 36%.

O regulador financeiro moçambicano justificou a medida com "o agravamento das perceções dos riscos externos resultantes da aceleração do crescimento da economia norte-americana e com as tensões comerciais com a China".

Contudo, a maior confederação empresarial de Moçambique considerou exagerado o agravamento das taxas de reservas obrigatórias para passivos em moeda externa, defendendo que a decisão pode ter um efeito negativo na economia do país.

"Entendemos que um aumento da taxa de reservas obrigatórias em moeda externa em 900 pontos base é demasiado elevado e pode representar um tremendo choque para o setor financeiro que, num período de tempo não muito longo, pode ser repassado para o setor produtivo", refere a CTA, em comunicado divulgado hoje.

A decisão do Banco de Moçambique pode, no curto prazo, levar a um resultado contrário ao pretendido, criando maior escassez de divisas, lê-se na nota.

A CTA entende ainda que "poderá haver uma tendência de depreciação cambial sistemática que, com o agravante do efeito das eleições que se aproximam, atinja proporções irreversíveis no médio prazo".

Tendo em conta as decisões que o CPMO tomou em fevereiro, que davam indicações de um ambiente de estabilidade macroeconómica, uma subida drástica da taxa de reservas obrigatórias pode constituir um susto para a economia.

"No nosso entendimento, a medida poderia ter sido um pouco mais cautelosa, não pelo resultado que se pretende alcançar, mas pela perceção que esta medida lança para a economia", diz ainda o CTA.

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