Banco central angolano vende 182,7 M€ à banca e kwanza volta a perder face ao euro

Banco central angolano vende 182,7 M€ à banca e kwanza volta a perder face ao euro

O banco central angolano dá conta da realização de duas sessões de venda de divisas em leilão aos bancos comerciais, o primeiro realizado sem anúncio prévio na terça-feira, em que colocou 150 milhões de euros junto de 21 bancos, e o segundo, quarta-feira, em que vendeu 32,7 milhões de euros a oito instituições bancárias.

O Banco Nacional de Angola (BNA) colocou, em dois leilões, 182,7 milhões de euros no mercado primário, levando o kwanza a depreciar-se novamente face à moeda europeia, caindo 46,1% desde janeiro, situando-se agora nos 344,001 kwanzas/euro.

Num comunicado hoje divulgado, o banco central angolano dá conta da realização de duas sessões de venda de divisas em leilão aos bancos comerciais, o primeiro realizado sem anúncio prévio na terça-feira, em que colocou 150 milhões de euros junto de 21 bancos, e o segundo, quarta-feira, em que vendeu 32,7 milhões de euros a oito instituições bancárias.

Na primeira venda, os 150 milhões de euros destinaram-se à abertura de cartas de crédito com o objectivo de assegurar a importação de mercadorias diversas, enquanto, no segundo, os 37.712.937,84 euros visaram regularizar operações gerais, incluindo necessidades correntes e atrasadas que se encontrem em conformidade com a regulamentação cambial, mas que, por algum motivo, não tenham ainda sido pagas ao exterior.

Face ao dólar, a moeda angolana voltou também a depreciar-se, valendo agora 292,363 kwanzas/dólar (depreciou-se 43,29% desde janeiro), contra os 290,025 kwanzas/dólar da última segunda-feira.

No início deste mês, a moeda europeia valia 301,3 kwanzas/euro, enquanto a norte-americana estava nos 276,562 kwanzas/dólar.

Salvo indicação em contrário, o BNA, com estes dois leilões, o primeiro não anunciado, terminou com as operações em setembro, depois de as nove sessões (estavam previstas oito) terem permitido vender praticamente o estipulado para este mês, ao atingirem 597,5 milhões de euros dos 598 milhões pretendidos.

A 18 deste mês, o BNA anunciou que, a partir de 01 de outubro, entregará a autonomia da venda de moeda estrangeira aos bancos comerciais, ponto termo a uma prática que, face à dificuldade de obtenção de divisas reinante no final de 2017, foi obrigado a recorrer a 09 de janeiro deste ano.

Nesse sentido, as solicitações de compra de moeda estrangeira devem voltar a ser unicamente apresentadas aos bancos comerciais autorizados.

"Assim, a partir do dia 1 de outubro, o BNA deixará de proceder a vendas diretas de divisas pelo que as solicitações de compra de moeda estrangeira devem voltar a ser unicamente apresentadas a instituições financeiras autorizadas a exercer o comércio de câmbios pelo BNA", explicou então o banco central angolano.

O BNA justificou que, após o período de maior intervenção, "com o mercado cambial atualmente mais bem regulamentado e com maior regularidade na oferta de moeda estrangeira", estão criadas as condições para que sejam novamente os bancos comerciais a realizarem a alocação de moeda estrangeira aos seus clientes.

Para outubro, indicou o BNA num outro comunicado, divulgado terça-feira, o banco central angolano vai colocar no mercado primário 650 milhões de dólares (552,5 milhões de euros) em divisas distribuídas por 14 sessões.

Segundo o banco central angolano, o montante será colocado por via de leilões de preços, na venda de divisas, e da quantidade, no caso dos "plafonds" para cartas de crédito.

As 14 sessões de leilões de outubro serão realizadas nos dias 01, 03, 05, 08, 10, 12, 15, 17, 19, 22, 24, 26, 29 e 31.

O BNA adiantou também que, a partir de 01 de outubro, passará a anunciar no último dia útil de cada semana o resultado semanal das vendas em leilão por banco comercial e o montante de moeda estrangeira que será vendido nos leilões da semana seguinte.

"Após cada leilão, o BNA divulgará, no seu portal institucional, o montante disponibilizado, o número de participantes, a taxa de câmbio mais alta e a mais baixa admitidas e a taxa de câmbio média resultante", indicou.

Ainda noutro comunicado, o BNA refere que, a partir também de 01 de outubro, com base na Lei de Bases das Instituições Financeiras, aprovada a 17 de junho de 2015, tornará públicas na sua página eletrónica institucional, trimestralmente, "todas as medidas corretivas aplicadas a todas as instituições financeiras".

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