Próximo nível de ensino

Kevin Lo

Kevin Lo

Jovem de Macau lidera no Canadá uma startup de ensino electrónico com recurso a inteligência artificial.

Aos 23 anos Kelvin Lo tem em mãos um projeto inovador de prestação de serviços para escolas e estudantes individuais no Canadá, que aposta no ensino interativo que procura ser feito à medida do utilizador. A chave está num sistema de animação semi-automática produzido por uma equipa que inclui técnicos de informática, criativos, designers gráficos e professores que, sob a liderança de Lo, vai sendo afinado com os instrumentos de inteligência artificial.

Nascido no Canadá, Lo veio para Macau ainda criança onde permaneceu até regressar a Toronto onde se licenciou em Ciências da Vida. Mas foi no campo do cruzamento entre o ensino, a pedagogia e as tecnologias da informação que desenvolveu atividade profissional desde bem cedo, aos 21 anos.

"Tudo começou quando tomei contacto com o sistema de ensino à distância de modelo tradicional em vigor no estado de Ontário em que basicamente o estudante vê o vídeo, lê o manual a faz o trabalho de casa", começa por contar Kelvin Lo ao PLATAFORMA. Um modelo que não o satisfazia pelo que foi à procura de algo mais interativo e atrativo. Foi quando descobriu um sistema utilizado na Coreia do Sul com amplo recurso à animação. A partir daí colocou mãos à obra, tendo delineado um projeto e encontrado financiamento para dar o pontapé de saída ao projeto Leading Wave Nexus.

"Procuramos que os estudantes tenham uma experiência mais interessante e que os professores possam ter acesso a um relatório gerado pelo sistema através do qual podem perceber as necessidades do aluno", explica Kelvin Lo, salientando que este instrumento é útil para desenvolver novos materiais, mais personalizados. Todoseste processo implica uma equipa multidisciplinar. Para cada curso, com a duração de um semestre, são necessários dois a três professores da disciplina, além de técnicos de informática, animação, design e do diretor de projeto, num total de 10 a 12 pessoas. Para cada aula de 45 minutos são necessárias cerca de 30 horas de trabalho. O sistema de inteligência artificial utiliza algoritmos que vão sendo aperfeiçoados. "Demoramos bastante tempo a preparar uma aula, sobretudo no que diz respeito à previsão das variáveis nas respostas dos alunos a perguntas, havendo muita informação para introduzir e sistematizar". Trata-se de um sistema mais adequado às ciências exatas que às ciências sociais, que pressupõem sempre um maior envolvimento humano ao longo da utilização por parte do estudante. "É um desafio constante", afirma Kelvin Lo.

Uma das questões com que se depara - sobretudo por parte de professores - é que este sistema de e-learning baseado em inteligência artificial vai acabar por tornar o trabalho dos docentes dispensável. Kelvin Lo desdramatiza o problema ao sublinhar que em alguns casos o sistema "pode aliviar 80 a 90 por cento do trabalho e tempo dispensado pelo professores, fazendo com que se possam focar mais na forma de auxiliar os alunos e de ir ao encontro das necessidades educativas e pedagógicas dos estudantes". Ou seja, há ganhos de produtividade, qualidade e eficiência, argumenta. "O papel do professor deve evoluir para guiar o aluno para que este saiba encontrar a informação e possa compreender as matérias", diz.

Para já, o modelo está a ser aplicado em cinco escolas do estado do Ontário, no Canadá, desde setembro do ano passado. O sistema está construído tendo em conta o currículo de Ontário pelo que não será viável trazer este produto para Macau no curto prazo. Todavia, para Kelvin Lo esse seria um passo natural, tendo em conta os laços que o ligam a esta cidade. "Espero poder um dia introduzir esta tecnologia em Macau, mas isso vai demorar algum tempo, também porque será necessário que seja operada uma mudança na mentalidade mais tradicional que vigora aqui". A vinda de férias a Macau neste verão também trouxe a oportunidade de mostrar o sistema a professores e alunos locais de quem espera ter eco que o possa guiar para que no futuro venha a desenvolver conteúdos e materiais escolares adaptados à situação e necessidades em Macau.

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