Premium Treinador da seleção timorense lamenta atrasos nas obras do estádio de Díli

Estádio Municipal de Díli

O treinador da seleção de futebol timorense, o japonês Norio Tsukitate, considera que o atraso nas obras do Estádio Municipal de Díli, que impedem o país de receber jogos internacionais desde 2015, está a afetar a prestação dos jogadores.

Os comentários de ​​​​​​​Tsukitate foram feitos a jornalistas na Malásia depois de duas derrotas expressivas e consecutivas da seleção timorense frente à equipa malaia na ronda de qualificação para a Taça Asiática, sendo que um dos jogos deveria ter sido disputado em Díli.

Depois de perderem 7-1 na primeira mão, os timorenses perderam 5-1 no segundo jogo, levando o treinador a mostrar a sua exasperação pela situação da equipa que apesar de se esforçar não tem suficiente experiência.

"Sou o treinador há um ano e fiz apelos repetidos à federação para resolver as coisas para que possamos fazer jogos em casa. Mas é complicado e estou a ficar cansado de estar sempre a pedir", disse.

Considerando que os jogadores fazem muitos erros por falta de experiência, o treinador disse que a experiência de jogar em casa é essencial.

Já depois da derrota inicial, Tsukitate queixou-se do elevado consumo de álcool dos jogadores timorenses que o levou a deixar de fora vários dos atletas mais experientes.

"É difícil escolher jogadores em Timor-Leste porque a liga doméstica é de apenas cinco ou seis meses e depois disso eles não fazem nada. Bebem e não treinam. Por isso alguns não estão em boas condições", referiu.

O secretário de Estado da Juventude e Desporto, Nélio Isaac, admitiu à Lusa preocupação com a situação do projeto, que foi iniciado pelo seu antecessor no VI Governo constitucional, em 2015, e continua por concluir.

"Precisamos do estádio para ter jogos internacionais e da Liga de Futebol Amador. Mas há alguns problemas para resolver", explicou.

Segundo Isaac, o problema prende-se com a decisão da empresa ter optado por iniciar obras adicionais ao projeto inicial sem concluir as obras do contrato original, o que fez atrasar as obras e causou depois, problemas no pagamento do que já tinha sido executado.

"O trabalho deveria ter demorado um ano no máximo mas acabou por decorrer muito lentamente porque a empresa não fez o trabalho com base no contrato original mas fez outras obras adicionais", referiu.

"A empresa teria que ter acabado primeiro as obras no contrato original. Fez as adicionais que ainda não foram pagas", acrescentou, explicando que a empresa recebeu cerca de 30% do valor do contrato.

O responsável timorense explicou que dada a confusão em torno ao projeto levou o assunto ao primeiro-ministro, Taur Matan Ruak, que solicitou à Inspeção Geral do Estado "investigar o que se passa.

"Estamos à espera do resultado", afirmou.

Os atrasos nas obras do Estádio têm vindo pontualmente a ser debatido em Timor-Leste com críticas aos atrasos na obra, que levaram o tema ao parlamento.

Documentos obtidos pela Lusa confirmam que o projeto de reabilitação do Estádio, no valor de 1,64 milhões de dólares (1,45 milhões de euros), foi adjudicado à empresa Marino Entreprises Lda a 19 de abril de 2016.

O projeto incluía a renovação do edifício da bancada, construção de casas de banho, sala de eletricidade e poste de iluminação, além do fornecimento de cadeiras para a bancada, com a duração prevista das obras de 196 dias.

Três anos depois, porém, as obras estão paradas a meio e apesar do estádio acolher alguns jogos de competições nacionais continua sem cumprir os critérios internacionais exigidos.

O atraso nas obras é a polémica mais recente que afeta o futebol timorense.

Em 2017 a FIFA ampliou a nível mundial uma sanção imposta pela Comissão Disciplinar da Confederação Asiática de Futebol (CAF) ao secretário-geral da Federação de Futebol de Timor-Leste, culpado de usar documentos falsos para regularizar jogadores brasileiros.

A 20 de janeiro desse ano a Confederação Asiática de Futebol (CAF) suspendeu Timor-Leste da edição de 2023 da Taça Asiática depois de comprovar que a federação timorense utilizou 12 jogadores brasileiros com documentos de nacionalidade falsos.

Em julho do mesmo ano, a CAF suspendeu vitaliciamente o antigo diretor técnico da Associação de Futebol de Timor-Leste Orlando Marques Henriques de todas as atividades relacionadas com o futebol.

A decisão surgiu depois de ter sido provado que Orlando Henriques aceitou um suborno de 15 mil dólares (cerca de 13 mil euros) para oferecer aos jogadores da equipa de futebol Timor-Leste, para que perdessem o jogo com a Malásia, realizado a 30 de maio, nos Jogos do Sudoeste Asiático de 2015, em Singapura.

No final de 2017 o Comité Disciplinar da FIFA sancionou a seleção de futebol de Timor-Leste com sete derrotas na qualificação para o Mundial2018, devido a jogadores inelegíveis, bem como uma multa de 70 mil francos suíços (cerca de 60 mil euros).

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