Jogadores da Guiné-Bissau acusados de sabotagem vão agir judicialmente

O defesa-central Juary Soares em ação pela seleção da Guiné-Bissau

A garantia foi dada pelo defesa-central Juary Soares ao Plataforma Media.

Depois de uma presença muito apagada na Taça das Nações Africanas (CAN) deste ano, a seleção da Guiné-Bissau vê-se agora envolta em polémicas relacionadas com a suposta falta de profissionalismo por parte de alguns dos seus jogadores. Ao Plataforma Media, o defesa-central Juary Soares - um dos visados no incidente - garante que tudo não passam de "calúnias" e aponta o culpado de toda a confusão que se instalou no seio da equipa guineense. "Eu e os meus colegas sempre fomos profissionais. Respeitamos todas as regras da nossa seleção. É com muito orgulho que representamos o nosso país. Posso mesmo dizer que é por amor. Essa acusação, feita pelo assessor Edgar Pires, é totalmente falsa e não entendo qual o fundamento".

De acordo com a agência Lusa, o assessor de comunicação da federação guineense de futebol, Edgar Pires, acusou alguns jogadores de sabotagem nos jogos da seleção do país na CAN, que decorre no Egito até ao próximo dia 19. Pires apontou mesmo o dedo aos médios Zezinho (capitão da seleção que, aos 26 anos, acaba de renunciar) e Pelé, ao avançado Toni Sá Brito, ao guarda-redes Jonas Mendes e a Juary Soares, como sendo os autores da alegada sabotagem aos "djurtus".

Juary recusa, para já, que haja mais alguém envolvido nesta questão para além de Edgar Pires, contudo o presidente da federação guineense, Manuel Lopes, admitiu que a seleção será objeto de "profundas reformas" e ainda agradeceu a contribuição de alguns jogadores que ajudaram a que a Guiné-Bissau possa estar, por duas vezes consecutivas, no CAN. "Não sei se isto foi encomendado por alguém dentro da estrutura da federação. O que sei é que o Edgar Pires vai ser responsabilizado por tudo aquilo que disse, porque nós vamos levar o caso aos tribunais", garantiu Juary, jogador do Mafra da II Liga portuguesa.

As acusações de Edgar Pires são fortes. O também apresentador de um programa desportivo numa rádio de Bissau fala em "afastar os jogadores" para sempre. "Estão a criar um mau ambiente", disse à comunicação social.

Juary refere que a sua família ficou bastante afetada com a acusação que considera "muito grave" e mostra-se "triste e desiludido" com toda a situação. Ainda assim, continua disponível para jogar pelo seu país "sempre que o treinador assim o desejar". "Estou, como sempre estive, aqui para representar a seleção. Acho que ainda não é altura de por um fim à minha contribuição."

Para o defesa-central do Mafra - clube com o qual tem mais um ano de contrato -, muitas coisas correram mal durante o CAN. "Fomos muito mal preparados. Não fizemos um estágio. Treinámos em campos sintéticos. Enfim, outras coisas afetaram e muito a nossa prestação."

A Guiné-Bissau, ao contrário do que os seus adeptos esperariam, não conseguiu atingir a segunda fase do CAN, ao alcançar apenas um ponto na fase de grupos, fruto de um empate a zero golos diante do Benim, e ao perder com os Camarões e o Gana, pelos mesmos resultados, 2-0.

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