Como a solidão de uma "soccer mom" em Lisboa enche seis concertos no Coliseu

Madonna atuou no festival da Eurovisão, em Israel

Desde 2017, quando se mudou para Lisboa, que Madonna se tornou assunto de notícias e conversas de café. A edição do disco "Madame X" é o resultado desta estadia nem sempre pacífica em Portugal.

"Uma Joana D'Arc negra, interpretada pelo rapper norte-americano e transgénero Mykki Blanco, é considerada herege e queimada viva no videoclipe de Dark Ballet, um dos temas do novo álbum de Madonna, Madame X, que chega às lojas esta sexta-feira. É quase impossível vermos este teledisco sem nos lembrarmos de Like a Prayer que em 1989 chegou a ser condenado pelo Vaticano por usar a imagem de Cristo. Naquele vídeo, uma lágrima caía de uma estátua de um santo negro, muito parecido com um homem detido erradamente pela polícia que o acusava de ter batido numa mulher. Passaram-se 30 anos mas Madonna continua a lutar pela liberdade individual e pelos direitos de todas as minorias - nas músicas, nos filmes, nas muitas intervenções públicas, esse parece o tema que atravessa toda a carreira da estrela pop.

A música é importante, claro, porque é o seu meio de expressão privilegiado mas Madonna é muito mais do que isso. Num artigo publicado no The New York Times na semana passada, Vanessa Grigoriadis dizia como é "deprimente" pensar que a geração mais nova não entende a importância que Madonna teve ao longo dos últimos 35 anos - desde que em 1984 apareceu com as suas luvas de renda e saia de tule a cantar Like a Virgin - sublinhando como ela esteve sempre à frente do seu tempo: "Madonna usou a sua força de vontade de ferro para forjar um tipo específico de estrela pop, altamente autobiográfica, hiper-empoderada e hiper-sexualizada, que se tornou o modelo dominante de feminilidade em todo o mundo. Sem Madonna não teríamos Britney Spears, Lady Gaga e talvez nem Janelle Monae. As personagens que ela interpretou em cada uma das suas transformações - não apenas a Madonna religiosa, mas a virgem, o brinquedo sexual, a miúda material, a dominatrix, a rainha da pista de dança, a mãe, a mãe que faz yoga, a mãe adotiva e, agora, a sexagenária reivindicando o seu espaço entre artistas duas gerações mais jovens - são representações divertidas da feminilidade convencional. Elas refletem um futuro que a maioria de nós não conseguiria antever antes de ela o mostrar."

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