"Ainda hoje glorificamos e romantizamos o colonialismo"

Dez anos depois da sua edição na Alemanha, chega a Portugal o livro Memórias da Plantação: Episódios de Racismo Quotidiano.

Quando estava na universidade, Grada Kilomba era a única estudante negra em todo o departamento de psicologia clínica e psicanálise. Nos hospitais, para onde foi trabalhar depois, era comum ser confundida com a senhora da limpeza. E por vezes os pacientes recusavam-se a ser vistas por ela.

Na primeira vez que visitou a biblioteca da Freie Universität de Berlim, onde estava a fazer o doutoramento, uma funcionária interpelou-a em voz alta: "Você não é daqui, pois não? A biblioteca é só para estudantes universitários!" Episódios assim são bastante comuns, acabou por descobrir. Alguns deles estão relatados no livro Memórias da Plantação: Episódios de Racismo Quotidiano, editado pela primeira vez na Alemanha, em 2008, e que agora, finalmente, mais de dez anos depois, é editado em Portugal pela Orfeu Negro.

"O livro chega agora porque só agora há condições para ele ser publicado em Portugal", diz ao DN, explicando que, quando começou a trabalhar sobre as questões relacionadas com o racismo e com a forma como a herança de um passado colonial era reencenado no presente, "estas questões não eram tratadas de maneira nenhuma" no nosso país: "Eram ignoradas" pela Academia e pela sociedade em geral.

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