George Soros cria fundo de 15 milhões para restituição de obras de arte

Fundação criada por George Soros vai investir 15 milhões de dólares para restituir peças de arte africanas

Fundação criada por George Soros vai investir 15 milhões de dólares para restituir peças de arte africanas à origem.

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O anúncio foi feito em Paris, durante o Fórum de Paz. O fundo será gerido pela Open Society Foundations, criada pelo multimilionário George Soros em 1984.

A restitutição de obras de arte africanas aos seus países de origem é a mais recente cruzada do multimilionário George Soros. Nos próximos quatro anos, a fundação Open Society Foundations, criada pelo magnata de ascendência húngara radicado nos Estados Unidos, vai investir 15 milhões de dólares no reforço dos esforços para restituir obras de arte saqueadas do continente africano.

O anúncio foi feito na última semana, durante o Fórum da Paz, em Paris. "Estamos orgulhosos de apoiar este movimento de reconciliação de erros históricos como parte da nossa missão de promover a verdadeira justiça", afirmou Patrick Gaspard, presidente da Open Society Foundations.

"O violento legado colonial tem consequências profundas na maneira como o racismo e os desequilíbrios de poder são perpetuados ainda hoje. Não se trata apenas de devolver peças de arte, mas de restaurar a própria essência dessas culturas", disse o mesmo responsável.

O financiamento da Open Society será destinado a juristas, arquivadores e diretores de museus africanos, para apoiar o desenvolvimento dos seus conhecimentos em questões relacionadas com os processos de restituição. Na Europa, os fundos serão dedicados "a estimular o debate sobre o assunto, garantindo que as vozes africanas sejam representadas".

"Com muito do legado cultural pré-colonial de África exposto em museus europeus, esses artefactos estão fora do alcance de milhões de africanos, que têm direito ao seu próprio conhecimento e produção cultural", disse Rashida Bumbray, diretora de Cultura e Arte da Fundação.

"A restituição não é apenas sobre como dimensionar o passado, mas sobre o acesso à própria herança e a necessidade de manter essa relação com as gerações futuras", explicou ainda Bumbray, que será uma das responsáveis diretas pela iniciativa.

Recorde-se que a 23 de novembro faz um ano que o relatório Savoy-Sarr foi entregue ao presidente francês Emmanuel Macron. O trabalho, desenvolvido pela historiadora francesa Bénédicte Savoy, que faz parte do Collège de France, e pelo economista senegalês Felwine Sarr, autor do livro Afrotopia, propõe a restituição de mais de 90 mil peças africanas que se encontram em França, a maioria localizada no Museu do Quai Branly-Jacques Chirac, em Paris.

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