"A mamadeira de piroca ganhou as eleições no Brasil"

Wagner Moura

Em entrevista, o ator e realizador acha que as fake news ganharam as eleições no Brasil e diz-se vítima de campanha de descrédito lançada pelos "medíocres" da direita

O ator de "Tropa de Elite" e "Narcos" e realizador de "Marighella" deu entrevista ao UOL por ocasião do Festival de Berlim em que "partiu a louça toda". Wagner Moura falou de "Marighella" mas também - e muito - da situação política atual no Brasil.

"No Brasil, quem ganhou as eleições? Não foram só os erros da esquerda. Coisas como a mamadeira de piroca. A mamadeira de piroca ganhou as eleições no Brasil! E não estamos falando só do Brasil: fiquei sabendo que Donald Trump mente 11 vezes por dia. Vivemos em um momento em que a verdade não importa. Não importa! Seja lá o que fizerem [a extrema-direita] - dizer que estou cheirado, ou que a esquerda distribuía a mamadeira de piroca - funciona".

Wagner Moura referia-se na entrevista ao UOL à notícia falsa alegadamente divulgada pela campanha de Bolsonaro de que mamadeiras com bico em formato de pénis estariam a ser distribuídas nas escolas e creches municipais por determinação do PT e de Fernando Haddad

O ator e realizador diz-se também vítima de uma "campanha de descrédito" por parte de elementos "medíocres" da direita brasileira. "O que fizeram? Um vídeo dizendo que eu estava cheirando cocaína quando gravei a entrevista. Eu estava com rinite, então mexi no nariz algumas vezes, mas editaram um vídeo só com essas partes. Então esse tipo de resposta só prova quando eu digo que são medíocres, porque foi o que instigou o argumento ad hominem, de quando você não ataca a ideia de alguém, mas a própria pessoa... e com mentiras... Eu não sou capaz de responder a esse tipo de coisa: eles me provam que estou certo. O que é louco é que, seja lá o que eles fizerem, funciona", afirmou na entrevista.

Sobre facto de a classe artística estar a ser supostamente atacada pelo novo Executivo conservador no Brasil, Wagner Moura retorquiu ao UOL: Vocês acham que Bolsonaro já leu um livro? Honestamente: que já foi a um teatro? Não! Isso não tem importância para essas pessoas, e elas não querem que essas narrativas sejam ditas. O [meu] filme vai ser um dos primeiros produtos culturais do Brasil que vai ser abertamente contra esse grupo que tomou o poder - aliás, democraticamente. Mas meu filme não é uma resposta a Bolsonaro: honestamente é bem maior que Bolsonaro".

"Marighella", o filme sobre o guerrilheiro de esquerda da Ação Libertadora Nacional (ALN), que estreou no Festival de Berlim, sofreu "boicote financeiro", segundo o realizador. "Ninguém queria dar dinheiro a esse filme. Vai ser extremamente difícil lançar. Eu espero gente jogando merda na tela, vaiando o filme, agressões físicas

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