As caras de muitos encontros

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"Retratos de luso-asiáticos de Macau". É este o título da primeira exposição de fotografia de João Palla. Ao todo são 49 retratos. Foi inaugurada esta quarta-feira na Universidade de Aveiro, Portugal, no âmbito do II Congresso Internacional "Diálogos Interculturais Portugal-China". Vai estar patente até ao próximo dia 20.

Em conversa com o PLATAFORMA, João Palla, arquiteto, 48 anos, lembra que a ideia surgiu depois de uma viagem ao norte da Birmânia, no início de 2017, onde visitou aldeias com descendentes de portugueses, cujos ancestrais chegaram a estas paragens há quatrocentos anos.

João Palla, que divide casa entre Lisboa e Macau, interessou-se pela história ao ver o documentário de Joaquim Magalhães de Castro sobre os "bayingyis". Decidiu então ir ao encontro desses povos. Da viagem ficaram os rostos fotografados, de início, sem qualquer intenção além de um registo. "Comecei por tirar umas fotos de rostos. As pessoas viram e gostaram. E muitos vieram pedir para ser fotografados. Nas expressões vê-se que não são birmaneses. Há ali uma mistura", diz.

Dessa viagem surgiu a ideia de continuar a fotografar pela Ásia rostos de luso-descendentes.

"Malaca, Indonésia, Índia, Sri Lanka, Hong Kong, Macau. Ainda falta, nomeadamente passar por Timor-Leste e ilha das Flores. Por todos esses lugares fotografei rostos de luso-descendentes", esclarece.

João Palla, neto de Victor Palla, também arquiteto e um apaixonado pela fotografia, adianta que o portfólio junta já cerca de 500 fotos de rostos de diferentes fisionomias, que resultam da "mistura entre povos, da miscigenação".

O autor declina alargar a experiência a rostos de outras geografias em que há luso-descendentes.

"Não. O objetivo é ficar por estas paragens. Com Macau a servir de plataforma para este projeto pessoal", assegura.

O arquiteto não tem ainda uma versão fechada do que fazer com todo este material - "isto pode dar muita coisa" - diz, mas lá avança que gostaria um dia de ver "as fotografias publicadas em livro".

"Um livro de rostos. Tenho ideia de que as pessoas gostam de ver rostos. E estes são rostos bonitos. Que resultam de uma mistura. E das misturas saem sempre rostos bonitos", atira.

Não tem uma data definida para avançar, eventualmente para o "tal livro, que anda entre uma ideia e um desejo". "Isto é para ir fazendo com o tempo disponível. Gosto de viajar e junto as duas vertentes. Working in progress", adianta.

Sobre a exposição, João Palla esclarece que a mesma aconteceu por convite do Instituto Internacional de Macau para "isolar os rostos luso-asiáticos de Macau" e expô-los no decurso do II Congresso Internacional "Diálogos Interculturais Portugal-China", promovida pelo Instituto Confúcio da Universidade de Aveiro, em parceria com vários Departamentos desta universidade.

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