Camões, cartas de amor e jardins orientais

São 24 pintores macaenses e pela primeira vez estão a expor em Lisboa. A exposição celebra os 20 anos da criação da Região Administrativa Especial de Macau

Do Convento de Cristo, em Tomar, aos jardins orientais de Macau, de uma rua de Lisboa ao rosto de uma idosa do Tibete. É deste cruzamento entre Oriente e Ocidente que se faz a mostra coletiva de 24 pintores de Macau que inaugurou hoje em Lisboa na Delegação Económica e Comercial de Macau.

A exposição comemora os 20 anos do estabelecimento da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM). No momento do cortar da fita estiveram presentes o secretário dos Assuntos Sociais e Cultura de Macau, Alexis Tam, e a diretora do Instituto Cultural da RAEM, Pok Ian Ian.

"São 24 pintores macaenses que pela primeira vez estão a expor em Lisboa, sendo também a sua estreia europeia. Temos aqui uma mistura dos mais tradicionais com alguns nomes da nova geração e também exemplares de várias técnicas: aguarela, tinta da china, óleo. No centro temos uma escultura de Camões", descreveu Lok Hei, presidente da Associação de Artistas de Belas Artes de Macau, no dia da inauguração da exposição.

A escultura em bronze de Camões tem a assinatura de Wong Ka Long, um escultor macaense com 42 anos, e é uma réplica em tamanho pequeno de uma estátua em bronze do poeta lírico português que Wong esculpiu aos 22 anos e é, ainda hoje, um dos ex-líbris do Jardim do Carmo, na Taipa, em Macau.

Uma das obras que melhor representa a ligação profunda entre Macau e Portugal é a pintura em tinta sobra, "Carta de Amor", de Iam Wai Man, que apresenta duas faces: uma portuguesa e outra macaense, com símbolos das duas latitudes.

Depois há telas absolutamente expressivas do estilo chinês tradicional como o "Jardim de Lou Lim Leoc" de Tam Chon Kit. Outro jardim, mas este o da Praça do Império, em Lisboa, é representado a traços finos numa aguarela de Ho Si Man.

Uma exposição que é uma janela para Macau mas que é também uma porta de entrada na Europa da arte desta região chinesa. "Esperamos vir a ter mais exposições deste género em Portugal e em outros países europeus para promover a nossa pintura e a cooperação cultural. Macau recebe também com frequência pintores portugueses", concluiu Lok Hei.

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