Início » Emigrantes começam a perder médico de família

Emigrantes começam a perder médico de família

Portugueses a residir em Macau começam a receber email do Serviço Nacional de Saúde de Portugal para desativação da inscrição no centro de saúde. Mudança preocupa os emigrantes, que receiam não conseguir recuperar este benefício caso regressem ao país. Sobre isso, a mensagem “nada diz, nem esclarece”

Nelson Moura

Nacionais portugueses a residir na RAEM também já começaram a receber uma comunicação do Serviço Nacional de Saúde (SNS) de desativação da inscrição no centro de saúde e consequente perda do médico de família.

Recentemente, vários emigrantes portugueses receberam um comunicado por email em que lhes é pedido para atualizarem o seu Registo Nacional de Utente, caso tenham regressado a Portugal.

Se a sua morada continuar a ser no estrangeiro, o comunicado informa que não estão cumpridas as condições para registo ativo e que “terá de ser dado um termo à inscrição”.

“Fiquei surpreendido por receber o email, mas à partida penso que não terá grande impacto para mim. Isto, claro, se o acesso ao SNS continuar assegurado e não existir qualquer prejuízo relativamente ao pagamento de taxas e usufruto de cuidados de saúde quando me encontrar em Portugal”, indica ao PLATAFORMA um português a residir em Macau, que preferiu não ser identificado.

“Se compreendi bem, o email recebido comunica a decisão de retirar o médico de família a quem não tem residência em Portugal, dando a oportunidade a quem voltou a Portugal e ainda não alterou a morada de corrigir essa situação. No entanto, quem reside e vai continuar a residir no estrangeiro, nada diz, nem esclarece.”

Em dezembro, o então ministro da Saúde, Manuel Pizarro, garantia que “os emigrantes portugueses” continuariam “a ter pleno acesso ao SNS” e não teriam “de pagar pelos cuidados recebidos”.~

No entanto, emigrantes portugueses não poderão mais recorrer ao seu médico em Portugal, com o Governo português na altura a indicar que ninguém perderia médico de família sem ser contactado antes.

Atualmente existem 1.7 milhões de utentes sem médico de família, sendo que o Governo anterior queria reduzir esse número para 1.4 milhões.

O Ministério da Saúde revelou existirem  mais de 300 mil pessoas inscritas no SNS que já não vivem em Portugal, ou que têm um registo indevido na base de dados. “Ter médico de família é importante e algo que não gostaria de abdicar, mas tendo em conta que estou a viver no estrangeiro e vou, neste momento, esporadicamente a Portugal, não sinto que esteja a ser demasiadamente prejudicado”, aponta o residente.

Contudo, teme que no futuro seja difícil para os emigrantes recuperar o acesso ao médico de família quando regressarem a Portugal. “Isso pode ser um problema e uma questão que gostava de ver esclarecida. Um regresso ao país regulariza automaticamente a situação ou a pessoa é colocada “em fila de espera” para ter médico de família?”, pergunta.

Contact Us

Generalist media, focusing on the relationship between Portuguese-speaking countries and China.

Plataforma Studio

Newsletter

Subscribe Plataforma Newsletter to keep up with everything!