Margem mínima - Plataforma Media

Margem mínima

Guilherme Rego

Uma das cidades com maior capacidade económica nunca soube o que fazer ao dinheiro que produzia. O caminho sempre foi claro; hoje continua a ser o mesmo de ontem: novas receitas e novos mercados. É tão verdadeiro para Macau como para qualquer sítio do mundo que queira apostar na sustentabilidade.

Se o presente fosse o que deveria ser, qual seria a dimensão da crise que atravessamos?

É impossível responder com precisão, mas todos sabemos que o facto de só haver uma indústria e um mercado é o que dita a circunstância que tentamos ultrapassar.

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A ideia é sempre o esboço; a execução vai ao detalhe. E essa sim, condenou esta cidade. De tentativas e erros se roçaria a perfeição daquilo que seria o plano para tornar Macau resiliente a crises, mas houve arrogância. Criou-se conforto num ambiente que já se sabia que ia terminar. Com o que não se contava foi a agressividade com que veio o seu fim.

Não bastava a pandemia, veio também o esperado aperto de Pequim e Macau bebe agora o coquetel perfeito. E enquanto digere esta situação, o objetivo continua a ser o mesmo, mas tornou-se mais urgente. O problema é que se ontem a diversificação já era um trajeto difícil, hoje pior ainda. Macau vê-se forçado a recuar constantemente e, apesar de sabermos que esta política terá de ter um término, ninguém pode determinar quando é que Pequim decide o retorno à “normalidade”.

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Findo o período de intolerância ao vírus, veremos quanto resta e o estado da indústria de jogo; veremos também a capacidade deste Governo de agir pelos interesses da população e da sua economia, que por vezes serão incompreendidos por Pequim. A margem que Macau tem hoje para fazer o que sabe que precisa nunca foi tão pequena.

Sem experiência, por falta de tentativas e erros, qual será a real capacidade de dar a volta à crise atual?

Caso não consiga, há no Continente quem queira tomar as rédeas do circo. Nesse cenário, a visão para Macau será diferente.

*Diretor-Executivo do PLATAFORMA

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